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Bebê colombiana nasce com irmã gêmea dentro do abdômen

Não é fake news maluca. Trata-se de um raro caso de "gêmeo parasita" -- entenda como é possível

Por Ingrid Luisa - 25 mar 2019, 18h51

Recentemente, o caso dos gêmeos australianos “semi-idênticos” (ou sesquizigóticos, algo muito raro que fica entre gêmeos idênticos e fraternos) impressionou a medicina. Mas, quando você jura que já viu tudo, sempre aparece algo que pode surpreender: na Colômbia, uma bebê nasceu com a irmã gêmea, ainda em crescimento, alojada dentro dela.

Este é um caso que a ciência chama de “gêmeo parasita”. A condição, raríssima, foi descrita pela primeira vez em 1808, e há pouco mais de 100 ocorrências registradas desde então.

No caso colombiano, os médicos notaram a anormalidade enquanto Itzamara, a bebê, ainda estava no útero de sua mãe, Monica Vega. No início, acharam que era apenas um cisto no abdômen do feto. O caso foi passado para o Dr. Miguel Antonio Parra Saavedra, especialista em gestações de alto risco, que acabou lidando com toda a gestação na clínica La Merced, em Barranquilla, na Colômbia.

Após uma inspeção detalhada, Parra Saavedra confirmou que o “cisto” era, na verdade, um outro feto, minúsculo, alimentado por um cordão umbilical conectado ao intestino de sua irmã gêmea — Itzamara, o bebê maior e mais desenvolvido, que nasceu.

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“Essa é uma das coisas mais estranhas e fascinantes que podemos ver na medicina materno-fetal”, disse o médico ao jornal local El Heraldo. “A maioria das pessoas nem sabe que esse fenômeno pode ocorrer”, acrescentou ele.

Itzamara nasceu saudável, com 37 semanas e 3,2 kg, de um parto cesariano. Um dia após seu nascimento, os médicos realizaram uma cirurgia para remover a gêmea, que continuava a crescer em seu abdômem. O feto tinha 5 centímetros de altura e possuía membros rudimentares, mas não tinha coração e cérebro. Depois de cortado o cordão umbilical que o ligava a sua irmã, ele faleceu.

Os cientistas ainda não estão 100% certos sobre como o gêmeo parasita pode surgir. No entanto, acredita-se que a condição ocorra após o 17º dia, ainda durante as primeiras semanas da gestação gemelar, depois que um dos fetos se enrola e acaba “absorvendo” o outro. O gêmeo envelopado torna-se, então, “parasitário” e depende dos suprimento do gêmeo “hospedeiro”. A ocorrência muitas vezes é diagnosticada erroneamente como um teratoma, um tumor de células germinativas composto por vários tipos diferentes de tecido, como cabelo, músculo, unha ou osso.

Hoje, Itzamara está bem e teve uma recuperação completa. Sorte dela: em um caso famoso de “gêmeo parasita”, descrito em 2008, os médicos só diagnosticaram o problema quando o homem estava com 47 anos.

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