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Cérebros de pássaros entram em sincronia quando cantam juntos

Em duetos, a atividade cerebral da fêmea se alinha à de seu parceiro, fazendo com que funcionem como um só.

Por Maria Clara Rossini
Atualizado em 13 jun 2019, 18h35 - Publicado em 13 jun 2019, 18h33

Quando dois cantores humanos vão fazer um dueto – digamos, Luan Santana e Paula Fernandes – eles precisam passar dias ensaiando para não cometer nenhum deslize (não estamos falando de deslizes de tradução, só pra deixar claro). 

Os pássaros, porém, não precisam fazer hora extra no estúdio para formar uma dupla digna de reality show – o cérebro deles faz a mágica acontecer piloto automático. Pesquisadores do Instituto Max Planck, na Áustria, acabam de demonstrar que, quando um casal de pardais se alterna para cantar uma canção, a atividade cerebral da dupla se torna perfeitamente sincronizada, evitando percalços melódicos. O estudo foi publicado no periódico Nature.

O estudo foi feito com pardais-de-testa-branca do deserto do Kalahari, na África – o que é importante porque, até então, todos as investigações haviam ocorrido em laboratório, longe do habitat natural. Os pássaros ficaram soltos e conviveram normalmente com os demais membros da espécie, mas dessa vez carregando duas “mochilas”, que continham um microfone para gravar os cantos e um dispositivo para medir a atividade cerebral. Calma, elas não deram dor nas costas dos bichinhos – os dois equipamentos, juntos, pesam apenas 1,6 gramas.

Os pesquisadores também colocaram uma antena perto da árvore em que os pássaros moravam. Ela recebia os sinais transmitidos pelos dispositivos e guardava os dados para que os cientistas pudessem analisá-los depois.

Foram gravados 650 duetos. As músicas normalmente são iniciadas pelo macho, enquanto a parceira entra na cantoria depois de algumas notas. A coordenação entre os dois é tão exata que a análise mostrou um atraso de apenas 0,25 segundos entre as notas emitidas por cada membro do casal. Eles não desafinam entre si jamais, porque os neurônios do segundo pássaro alteram sua atividade para se alinhar aos de seu parceiro. Mesmo sem nenhuma conexão eletroquímica, eles passam a funcionar como se fossem um só.

Mas você não precisa ficar triste com a incompetência do Homo sapiens: pesquisadores suspeitam que os humanos usem mecanismos similares para coordenar os movimentos durante interações complexas como a dança.

No fim das contas, quando se trata de cantoria, não importa quanto um casal de namorados (humanos) seja conectado. A menos que eles tenham neurônios sincronizados, seria muito difícil ganhar de dois pardais, perfeitamente juntos e shallow now, em um duelo de karaokê.

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