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Cientistas acham primeiro reservatório subterrâneo de água na Antártida

A presença de aquíferos no continente gelado é uma suspeita antiga, mas até agora não tinha sido confirmada.

Por Luisa Costa 9 Maio 2022, 17h05 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h44
Cientistas acham primeiro reservatório subterrâneo de água na Antártida Priorizar nos meus resultados Google

Pela primeira vez, cientistas descobriram um grande reservatório de água sob o manto de gelo na Antártida. Não é de hoje que os pesquisadores acreditavam na presença de aquíferos no continente, mas até agora não havia evidências para confirmá-la. 

O que já se sabia era da existência de lagos subterrâneos, formados à medida que o calor proveniente do interior da Terra derrete a camada de gelo, de baixo para cima. Há mais de 400 deles escondidos entre o chão e o gelo, e um deles é o lago Whillans.

Localizado na parte ocidental do continente, o Whillans tem aproximadamente 60 km2 e 2 metros de profundidade. Acima dele existe a Whillans Ice Stream: uma das correntes de gelo da Antártida que são responsáveis por transportar esse gelo do centro do continente para o oceano.

Essa corrente esconde um sistema de pequenos corpos d’água, como o Whillans, que influenciam sua velocidade de movimento. Mas oculta também um reservatório de água dez vezes mais volumoso, e com cerca de 2 quilômetros de espessura, segundo as descobertas do novo estudo publicado na revista Science. 

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Chloe Gustafson, principal autora do estudo, compara o sistema subterrâneo de água com uma “esponja gigante” composta de sedimentos porosos e cheios de água – salgada, em camadas mais profundas, e doce próximo à superfície.

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Segundo os autores, a água salgada pode ter passado do oceano para o continente há cerca de 5 ou 7 mil anos (durante um período de derretimento da camada de gelo), e o gradiente indica que os lagos rasos provavelmente estão ligados ao aquífero. 

O aquífero pode trocar água com o sistema acima dele, ou pode haver uma via de mão única – em que a água dos lagos escorre e fica armazenada na grande esponja subterrânea.

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Ainda não se sabe como essa troca entre o sistema profundo e raso de água acontece, mas ela seria definidora para a dinâmica da corrente de gelo localizada acima (ou seja, a movimentação do gelo para o oceano) e para a vida microbiana daquele ecossistema.

O aquífero sob a corrente de gelo de Whillans foi o primeiro a ser descoberto, mas os cientistas desconfiam que sistemas de água subterrâneos semelhantes estejam por toda a parte, escondidos abaixo de outras correntes.

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