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Conheça a espécie de marsupial que consegue engravidar durante a gravidez

Wallabia bicolor tem dois úteros completos – e pode conceber um novo embrião poucos dias antes de dar à luz ao outro filhote.

Por Carolina Fioratti
Atualizado em 18 mar 2024, 15h21 - Publicado em 5 mar 2020, 18h56

Sabe aquela história de que é impossível engravidar se você já estiver gerando um embrião? Talvez ela não seja tão real assim. Mas calma, por enquanto isso só vale para algumas mamães marsupiais. As fêmeas adultas da espécie Wallabia bicolor parecem passar a vida inteira gerando filhotes – sem nenhum dia de pausa. 

Elas possuem dois úteros completos com ovários, ovidutos e colo uterino.Quando já estão grávidas, concebem novamente cerca de dois dias antes do nascimento. Assim, têm-se ali um embrião. Mas a história não acaba aí. 

Assim como os famosos cangurus, após o período de gestação, o bebê passa do útero em que foi desenvolvido para uma bolsa, onde será amamentado por outros nove meses, até crescer e sair pelo mundo. 

Quando o filhote começa a mamar, começa o fenômeno da diapausa embrionária: a segunda gestação não se se desenvolve até que a bolsa esteja liberada. O corpo, então, envia sinais que impedem o desenvolvimento do outro embrião – o que se mantém até que o filhote saia da bolsa, dando sinal verde para o outro feto. O bebê nasce, aproximadamente, um mês depois disso.

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O caso dos Wallabia se assemelha com a de lebre-europeia, que reproduz de forma parecida, também podendo conceber um filhote estando grávida de outro. Mas ela passa por esse processo em estações de reprodução distintas, dando um intervalo maior, diferente da espécie de marsupial. 

Para chegar a essa descoberta, os pesquisadores realizaram exames de ultrassom em dez desses animais que vivem em cativeiro, levando em consideração o período de acasalamento. Nove das dez fêmeas estavam com um blastocisto (segundo estágio da fase embrionária) ao mesmo tempo que amamentavam outro filhote.

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Fêmea mãe de Wallaby do Pântano (Wallabia bicolor) com filhote visto em reserva na Austrália.
(Foto: Joshua Prieto / SOPA IMAGES/ Getty Images/Reprodução)

Não se sabe ainda os motivos que levaram a espécie a desenvolver este hábito: ter tantos filhos em uma velocidade tão rápida. Os pesquisadores descartam a possibilidade de ganho de tempo, já que os embriões logo entram na diapausa.

“Embora pareça exigente para a fêmea que ela permaneça grávida, na maioria das vezes esse pequeno embrião está apenas ali no útero, sem consumir quase nenhum recurso”, explicou o cientista Brandon Menzies ao site ScienceAlert. “Na verdade, não tenho certeza se elas sabem realmente que estão grávidas.”

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