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Criado na China primeiro híbrido de porco com macaco

As quimeras não sobreviveram mais de uma semana – e os autores do estudo ainda não sabem direito explicar por quê.

Por Ingrid Luisa - 10 dez 2019, 20h22

Cientistas da China costumam nutrir um estranho apreço por quimeras. Lá, onde as regras para questões éticas são bem menos rígidas, eles já haviam desenvolvido diversos animais transgênicos ou acrescentado genes de águas-vivas em porcos, por exemplo. Mas, agora, o experimento foi diferente: eles conseguiram com que, efetivamente, um porco-macaco nascesse com vida.

A notícia foi divulgada primeiro pela revista de ciência britânica NewScientist. Segundo o veículo, a equipe de pesquisadores gerou as criaturas injetando células-tronco de macacos-cinomolgo (Macaca fascicularis), bastante usadas em pesquisas em biotecnologia, em embriões de porcos fertilizados – e depois implantando-as em porcas que serviriam como “barriga de aluguel”.

No total, 4 mil embriões receberam uma injeção de células de macaco e foram implantados em porcas. Mas apenas 10 animais efetivamente nasceram, e só dois filhotes possuíam células de porco e macaco.

Nessa dupla de quimeras, a equipe encontrou células de macaco espalhadas por vários órgãos, incluindo coração, fígado, baço, pulmões e pele. Em cada órgão, porém, apenas uma em cada mil células ou uma em cada 10 mil células vieram de macacos. Em outras palavras, as quimeras inter espécies eram mais de 99% suínas.

“Este é o primeiro registro de quimeras que uniram macaco e porco”, disse à New Scientist o co-autor Tang Hai, pesquisador do Laboratório Chave do Estado de Células-Tronco e Biologia Reprodutiva em Pequim.

Todos os 10 animais morreram dentro de uma semana. Segundo os pesquisadores, não está claro por que isso aconteceu, já que tanto as quimeras quanto os outros porcos nascidos do experimento não resistiram. A equipe suspeita que a morte esteja relacionada ao processo de fertilização in vitro e não ao quimerismo. Pesquisas mostram que a fertilização in vitro não funciona tão bem em porcos quanto em humanos e em alguns outros animais.

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O curioso disso tudo é que os pesquisadores escolheram macacos para o teste porque o real objetivo é fazer quimeras de humanos com porcos. Sim, é bizarro, mas a ideia seria intermediária para algo maior: cultivar órgãos humanos em animais para que eles possam ser usados em transplantes. Em 2017, a mesma equipe chegou a criar um embrião de “homem-porco”, mas apenas uma em cada 100 mil células era humana e, por razões éticas, os embriões só puderam se desenvolver por um mês.

Tentando achar um alternativa viável, a equipe resolver usar macacos em vez de humanos. Os resultados foram publicados na revista científica Protein & Cell.

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