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Emirados Árabes estão prestes a lançar sua primeira missão a Marte

Após deixar a Terra em julho, a missão Hope Mars deve orbitar o planeta vermelho até o final de 2022, para obter dados sobre seu clima.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 12 jun 2020, 08h04 - Publicado em 9 jun 2020, 16h27

Dentro de 35 dias, os Emirados Árabes Unidos (EAU) darão um passo importante em seu programa de exploração espacial. O país vai lançar uma sonda a Marte, que deve orbitar o planeta durante um ano marciano (687 dias), colhendo informações sobre seu clima.

Os Emirados Árabes, aos poucos, vêm garantindo uma posição importante no cenário de pesquisa espacial: no ano passado, enviaram seu primeiro astronauta à Estação Espacial Internacional (ISS), e agora se preparam para sua primeira missão interplanetária.

A Hope Mars Mission está sendo planejada desde 2014, e agora, já tem data de lançamento: 14 de julho. Se tudo correr bem, a sonda deve seguir por 493 milhões de quilômetros espaço adentro até alcançar a órbita marciana em janeiro de 2021. A escolha da data não é aleatória – no próximo ano o país completa seu 50º aniversário, e o avanço servirá como uma comemoração.

A missão não será apenas a primeira exploração de Marte pelos EAU, mas também a primeira vez na história em que o clima do planeta será acompanhado diariamente, com todas suas oscilações.

A sonda contará com três sensores para avaliar a composição atmosférica do planeta – uma câmera capaz de medir a poeira e ozônio; um espectrômetro infravermelho focado nas camadas mais baixas da atmosfera e um espectrômetro ultravioleta para medir os níveis de oxigênio e hidrogênio.

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Vale lembrar que oxigênio e hidrogênio são elementos essenciais para a ocorrência de água – que, por tabela, é vital para a existência de vida da forma como conhecemos. Um dos focos da pesquisa será entender por que esses dois elementos estão escapando de Marte. Mas os planos a longo prazo são ainda maiores. A expectativa dos Emirados Árabes é instalar uma comunidade autossustentável no planeta até o ano de 2117. Parece ousado, não?

Os primeiros dados devem ser disponibilizados cerca de dois meses depois que a sonda iniciar sua órbita. Os cientistas garantem que as informações serão distribuídas para outros 200 institutos de pesquisa como forma de complementar missões passadas.

Para a exploração espacial no geral, a Hope Mars Mission significa a quebra da dominação nesse setor. Nos últimos anos, houve maior participação de outras iniciativas nacionais que não fossem da Nasa ou da Agência Espacial Europeia (ESA). Além disso, empresas privadas também estão tendo maior atuação nos negócios siderais – como a SpaceX, por exemplo. 

Para os Emirados Árabes, isso representa um estímulo ao avanço econômico e um convite aos jovens para que sigam profissões relacionadas à ciência. Durante um webinar que tratou da missão, a Ministra de Ciências Avançadas Sarah Al-Amir disse: “Hoje, os Emirados Árabes Unidos são uma economia baseada em serviços, logística, petróleo e gás. Na região, é considerada uma economia diversificada, mas se projetarmos isso adiante, a importância dos setores intensivos em conhecimento se tornará cada vez mais proeminente para o país”.

Apesar da base da missão ter sido desenvolvida pelos árabes, outros institutos de pesquisa auxiliaram na construção da sonda. Participaram do perojeto a Universidade do Colorado, Universidade Estadual do Arizona e o Laboratório de Ciências Espaciais em Berkeley (Califórnia), todas americanas. Como o país ainda não tem plataforma de lançamento, recorreram ao Centro Espacial Tanegashima, no Japão, para sediar a partida. 

Vale lembrar que 2021 será um ano agitado em Marte. Além da Hope Mars Mission, lançada pela EAU, a Nasa também deve enviar o rover Mars Perseverance e a China mandará o satélite Tianwen-1. Se organizar direitinho, todo mundo estuda o planeta vermelho.

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