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Estudo confirma que arte em caverna espanhola foi feita por neandertais

A descoberta desconstrói o estereótipo de que os neandertais eram brutos e rudimentares quando comparados ao Homo sapiens.

Por Carolina Fioratti
3 ago 2021, 15h36

Em 2018, um grupo de pesquisadores divulgou o que parecia ser a prova de que neandertais, assim como os humanos, tinham o costume de realizar intervenções artísticas em cavernas. A descoberta colocava em xeque as suposições anteriores feitas por pesquisadores, que consideravam o primo do Homo sapiens uma espécie rudimentar. 

Nem todos engoliram a história logo de cara. Alguns cientistas defenderam que aquelas marcações encontradas na caverna de Ardales, em Málaga, eram, na verdade, manchas causadas por processos naturais. Mas, nesta segunda-feira (02), pesquisadores da Universidade de Barcelona, na Espanha, confirmaram que os pigmentos vistos nas rochas eram provenientes de uma fonte externa, comprovando o envolvimento de neandertais. O estudo completo foi publicado na revista científica PNAS.

De acordo com a datação realizada por pesquisadores, a intervenção tem, no mínimo, 64,8 mil anos. Dessa forma, também não há possibilidade de as marcações terem sido feitas por humanos modernos, que só chegaram ao continente europeu cerca de 20 mil anos depois. O pigmento avermelhado, que chegou a ser descrito por alguns cientistas como a ferrugem causada pelo gotejamento d’água, era, na realidade, ocre (corante natural retirado da argila).

As manchas foram feitas sobre os estalagmites da caverna, um tipo de formação rochosa estruturada a partir de minerais trazidos pelo gotejamento e depositados no chão. Os pesquisadores acreditam que os neandertais mastigaram o pigmento e expeliram nas pedras. A espécie pode ter cuspido o pigmento diretamente pela boca ou com auxílio de um osso, utilizado como canudo.

A palavra arte, usada para descrever as marcações, não deve ser levada ao pé da letra. As manchas vistas na caverna espanhola não são como os desenhos feitos pelos humanos modernos, mas parecem marcar um espaço simbolicamente importante para os neandertais. Uma datação mais detalhada reforça esta ideia: ela indica que a caverna foi pintada em duas épocas diferentes, com intervalo de 10 mil anos entre as intervenções, levando a crer que a cúpula de estalagmite era significativa para a espécie. 

Por muito tempo, pinturas e outros artefatos antigos tiveram suas criações atribuídas aos Homo sapiens. Os métodos de datação evoluíram e, agora, é possível reconhecer os diferentes feitos de neandertais. Com o avanço científico, a ideia de que esses antigos hominídeos eram apenas os primos brutos dos humanos modernos vão ficando para trás, desconstruindo estereótipos já ultrapassados.

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