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Estudo identifica 11 espécies de peixe que podem ser capazes de andar

Os animais apresentam conexão óssea entre a espinha dorsal e as nadadeiras pélvicas, sendo os únicos peixes com quadril semelhante ao de seres terrestres.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 15 set 2020, 17h27 - Publicado em 15 set 2020, 17h23

Quatro anos atrás, um grupo de pesquisadores da Instituto de Tecnologia de Nova Jersey (NJIT), nos EUA, identificou em uma caverna tailandesa o que eles consideravam ser um peixe raro. Era o Cryptotora thamicola, também conhecido como peixe-anjo das cavernas, um animal cego, da família Balitoridae, capaz de caminhar sobre as quatro nadadeiras e escalar cachoeiras. O peixe-anjo parecia único, mas agora, cientistas relataram que outras dez espécies da mesma família apresentam anatomia semelhante a sua, podendo também ser capazes de caminhar. 

Talvez você já tenha ouvido falar sobre outras espécies de peixes que caminham sobre a terra, como é o caso dos mudskippers, que saem da água e se arrastam com o auxílio de suas nadadeiras frontais. A diferença entre estes e os membros da família Balitoridae é que os últimos andam sobre os quatro apoios, algo relatado apenas em tetrápodes, répteis e anfíbios. 

Além disso, a estrutura corporal destas 11 espécies é diferente de outros peixes. Brooke Flammang, bióloga do NJIT e autora sênior do estudo, explicou ao site Gizmodo que “na maioria dos peixes, não há conexão óssea entre a espinha dorsal e as nadadeiras pélvicas. Esses peixes são diferentes porque têm quadris”.

  • Para identificar peixes semelhantes ao Cryptotora thamicola, os pesquisadores analisaram tomografias de outras 30 espécies de Balitoridae. Dentre elas, 20 foram excluídas por terem quadris muito finos ou mal conectados à coluna vertebral, o que diminui as chances de serem capazes de se sustentar. As dez restantes são estruturalmente parecidas ao peixe-anjo, com quadris mais robustos e com capacidade de andar. Mas por enquanto, essa caminhada é apenas uma hipótese, já que os estudos de locomoção com auxílio das nadadeiras só foram conclusivos com o peixe-anjo.

    Os pesquisadores também realizaram análises de DNA para, junto aos exames de imagem, tentar entender a evolução destes animais. Há dois caminhos possíveis. No primeiro, a pelve óssea desses peixes poderia ter sido transmitida para as 11 espécies por um único ancestral comum; já na segunda hipótese, a estrutura seria fruto de diversas evoluções distintas dentro da família Balitoridae. Os cientistas defendem a segunda ideia como a mais provável. O motivo da adaptação parece ter sido a necessidade de viver em correntezas de rios, riachos e cachoeiras.

    Flammang explica que esses peixes podem ajudar os pesquisadores na compreensão dos primeiros seres vivos que caminharam sobre a Terra. “Sabemos que, ao longo da evolução, os organismos convergiram repetidamente para morfologias semelhantes como resultado de enfrentar pressões parecidas da seleção natural”, explicou. “E também sabemos que a física não muda com o tempo. Portanto, podemos aprender com a mecânica de como esse peixe anda e usá-la para entender melhor como os primeiros animais extintos podem ter caminhado”.

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