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Os peixes podem perder o olfato — e a culpa é nossa

Parte de todo dióxido de carbono que lançamos na atmosfera é dissolvido no oceano - e isso pode extinguir algumas espécies

Por Felipe Sali - Atualizado em 31 jul 2018, 17h04 - Publicado em 31 jul 2018, 16h45

Toda semana temos uma notícia ruim diferente sobre o impacto do homem no planeta. A dessa vem por meio dos pesquisadores da Universidade de Exeter. Eles publicaram um estudo na Nature Climate Change, que mostrou como os peixes podem perder a capacidade de detectar diferentes cheiros até o final do século. É o que vai acontecer, se os níveis de dióxido de carbono continuarem subindo na velocidade em que estão.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas expuseram robalos juvenis à quantidade de dióxido de carbono que é prevista para estar na água do mar até o ano 2100, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática. Não demorou muito para que as cobaias apresentassem comportamento confuso, mal identificando um predador ou uma presa.

Eles também pararam de nadar tanto. Alguns dos peixes não se moviam por mais de cinco segundos de cada vez. Dados mostraram que o dióxido de carbono elevado afetou a expressão dos genes no nariz e no cérebro dos robalos. O resultado se aplica para qualquer tipo de peixe, pois todos usam mecanismos semelhantes para cheirar seus arredores.

Isso é preocupante porque o olfato é mais importante do que a visão para alguns peixes, já que há pouca ou nenhuma luz no fundo do mar. Uma mínima alteração no sentido pode provocar mudanças radicais nos hábitos dos peixes e até a extinção de algumas espécies.

Os níveis de dióxido de carbono têm crescido nos últimos 200 anos por causa da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras peripécias dos humanos. Cerca de 30% de tudo que liberamos na atmosfera é dissolvido na água do oceano.

A próxima etapa do estudo é avaliar qual é o impacto atual dos humanos no olfato dos peixes.

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