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Ficção científica

Em seus estudos anatômicos, o artista catarinense Walmor Corrêa usa o conhecimento científico para dar verossimilhança a criaturas fantásticas de várias regiões do Brasil.

A senhora das águas

A grande brincadeira de Walmor é criar justificativas anatômicas para a existência de seres impossíveis. Uma sereia, por exemplo, correria risco de sofrer embolia caso se deslocasse rapidamente do fundo do mar para a superfície. Para resolver o problema, o artista equipou a criatura com uma válvula jugular que realiza a descompressão.

O monstro do Hingu

Todos os trabalhos mostrados nesta reportagem fazem parte da série que Walmor batizou de Unheimlich — termo cunhado por Freud em 1919 para designar aquilo que é familiar e estranho ao mesmo tempo. O capelobo é um misto de homem e tamanduá, que apavora comunidades indígenas da região do Xingu, no Pará.

Lenor Praiana

A curiosidade de Walmor pela anatomia surgiu na adolescência, nas aulas de biologia. O professor o escalou para ajudá-lo na dissecação de animais e lhe apresentou o trabalho de Leonardo da Vinci — aí nasceu também o interesse pela arte. Aqui, o artista “disseca” o ipupiara, homem-peixe que também pode aparecer como híbrido de lobo-marinho ou de peixe-boi.

Pé-virada

A série Unheimlich foi inspirada nos trabalhos dos naturalistas que acompanhavam os primeiros desbravadores do Brasil. Esses estudiosos ouviam relatos dos nativos a respeito de seres fantásticos e os reproduziam fielmente. Walmor, no entanto, não se prende tanto a esses relatos. Seu curupira – ser que tem os pés virados para trás – é bem mais monstruoso que o usual.

Só a cachorra

Das lendas retratadas por Walmor, a cachorra da palmeira é a mais recente: seria uma mulher transformada em cadela por ousar desrespeitar o luto pela morte de Padre Cícero. Para elaborar os órgãos internos de suas criaturas, o artista consultou especialistas — que muitas vezes eram médicos visitados sob o pretexto de uma consulta.