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Gatos rastreiam nossa presença apenas usando as orelhas, sugere estudo

Pela primeira vez, um grupo de pesquisadores identificou que o animal possui uma habilidade chamada cognição socioespacial. Entenda.

Por Luisa Costa 15 nov 2021, 16h13

Gatos têm orelhas sensíveis com mais de 20 músculos, capazes de se mover em todas as direções. Mas eles não são só bons ouvintes. Pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, descobriram que os felinos podem rastrear a presença de humanos usando apenas pistas auditivas.

Isso pode parecer banal, mas indica uma habilidade cognitiva não identificada anteriormente nos bichanos chamada “cognição socioespacial”: a capacidade de visualizar mentalmente onde os outros estão por meio de informações auditivas. Estudos anteriores já indicaram que os gatos mandam bem quando o assunto é processamento cognitivo dos sons. Mas ainda não estava claro se eles eram capazes de produzir esse tipo de mapa mental.

Cinquenta gatos participaram do estudo, publicado na revista PLoS ONE, e os experimentos aconteceram nas casas e cafeterias em que eles moravam. Os pesquisadores deixavam os animais sozinhos em um cômodo, junto a um alto-falante. Do lado de fora, outro alto-falante.

De início (na chamada fase de habituação), cada gato ouvia uma gravação da voz de seu dono cinco vezes, a partir do alto-falante mais próximo, dentro do cômodo. Em seguida (na fase de teste), um dos dois alto-falantes tocava a voz do dono ou de um estranho chamando o gato pelo nome. 

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Os pesquisadores, então, analisaram as reações dos gatinhos. Quando a voz do dono era tocada no alto-falante fora do cômodo, por exemplo, eles ficavam surpresos: era como se os donos tivessem se teleportado para um lugar novo e inesperado. Esses resultados, segundo os cientistas, sugerem que os gatinhos mantêm uma representação mental de seu dono e mapeiam sua localização pela voz.

Habilidade essencial

Representar mentalmente o paradeiro de outros seres vivos (como presas em potencial) é particularmente importante para condições de pouca visibilidade – o que combina com os gatos, que têm hábitos crepusculares e são caçadores por natureza.

“Representar mentalmente o mundo exterior e manipular essas representações de maneira flexível é uma característica importante do pensamento complexo e um aspecto fundamental da cognição,” escreveram os pesquisadores.

A habilidade de imaginar a localização de coisas não visíveis está presente nos humanos desde os estágios iniciais de desenvolvimento. Para além de nós, outros primatas (como chimpanzés e bonobos), ursos e cães já foram testados positivamente para algum nível dessa capacidade.

Contudo, os testes geralmente acontecem em torno de informações visuais. Até agora, só macacos vervet, suricatos e pássaros da espécie Phoeniculus purpureus tinham mostrado a capacidade de rastrear mentalmente outros seres a partir de pistas auditivas. Com o novo estudo, os gatos podem ser uma nova adição a essa lista.

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