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Ima Célia Vieira estuda a recuperação de áreas desmatadas na Amazônia

Neste #MulherCientista, conheça o trabalho de acompanhamento das "capoeiras": pastos abandonados que estão sendo lentamente recolonizados pela mata nativa.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 10 out 2020, 20h19 - Publicado em 9 out 2020, 17h17

Quem acompanha o Instagram da SUPER já conhece o #MulherCientista: a seção em que nós explicamos a vida e obra de mulheres lendárias (e esquecidas) do mundo acadêmico. Agora, em vez de contar a história de mulheres do passado, nossa repórter @m.clararossini vai entrevistar cientistas brasileiras do presente – e entender suas contribuições para um país em que a ciência anda tão negligenciada. Esses posts vão passar a aparecer também no nosso site. Até o próximo final de semana! 

A pecuária é responsável por 70% das alterações na paisagem da Floresta Amazônica. Primeiro, os produtores queimam e removem a mata nativa. Depois, a área é coberta por capim, que serve de alimento ao gado. Por fim, muitos terrenos são abandonados, e dão lugar aos vazios sem árvores que você costuma ver no noticiário.

A floresta não fica descoberta para sempre. A vegetação tende a se regenerar. Formam-se florestas secundárias, também conhecidas como capoeiras. Elas não são tão densas ou diversas quanto as primárias, é claro, mas são a alternativa mais viável para recuperar as terras que passaram por desmatamento. Na América Latina, 28% de toda a zona tropical é coberta por florestas secundárias.

As capoeiras possuem diferentes idades. Elas começam com uma vegetação baixa de gramíneas e arbustos, e vão se desenvolvendo com o tempo. Põe tempo nisso: uma floresta secundária de 80 anos possui algo entre 60% e 70% da biomassa da mata original. Mesmo um retalho de mata nativa desmatado em 1940 ainda não teve tempo de se regenerar completamente.

  • Ima Célia Vieira, pesquisadora titular do Museu Paraense Emílio Goeldi, estuda a resiliência da Amazônia a incêndios intensos que ocorreram na região de Tapajós, no Pará, entre 2015 e 2017.

    Os dados gerados por suas pesquisas permitem criar políticas públicas mais eficientes. Um exemplo é dar prioridade para a conservação de capoeiras mais antigas, pois elas são mais estáveis e já atuam como reservatório de biodiversidade. Quanto mais antiga é a capoeira, mais ela retira carbono da atmosfera – o gás que mais contribui para o efeito estufa e o aquecimento global.

    Ima também identifica e prioriza as capoeiras usadas por pequenos produtores rurais e comunidades indígenas, que dependem da floresta secundária para a extração de lenha e alimentos.

    No ano passado, a pesquisadora publicou um estudo em parceria internacional na revista Science, em que analisa a regeneração da floresta nas últimas duas décadas. Ima recebeu o prêmio de Cientista Master em 2019, oferecido pela Comenda Mulher Cientista do Governo do Pará, pelo trabalho de investigação profunda e prolongada das capoeiras. 

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