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Conheça o trabalho da cientista que estuda fertilidade das galáxias

Algumas galáxias produzem novas estrelas constantemente, enquanto outras já entraram na "menopausa". No #MulherCientista desta semana, conversamos com Marina Trevisan para entender a dinâmica por trás disso.

Por Maria Clara Rossini - 28 ago 2020, 17h08

Quem acompanha o Instagram da SUPER já conhece o #MulherCientista: a seção em que nós explicamos a vida e obra de mulheres lendárias (e esquecidas) do mundo acadêmico. Agora, em vez de contar a história de mulheres do passado, nossa repórter @m.clararossini vai entrevistar cientistas brasileiras do presente – e entender suas contribuições para um país em que a ciência anda tão negligenciada. Esses posts vão passar a aparecer também no nosso site. Este é o terceiro da série. Até o próximo final de semana! 

Nem todas as galáxias produzem a mesma quantidade de estrelas. As consideradas mais jovens – como a nossa Via Láctea – produzem estrelas em uma taxa estável. Existem galáxias, no entanto, que entraram em uma espécie de “menopausa”. Eles não conseguem mais produzir novos sóis.

Marina Trevisan procura entender por que isso acontece. A doutora em astrofísica e professora da UFRGS estuda os fatores externos que influenciam na fertilidade das galáxias – ou seja, eventos que acontecem fora de uma galáxia e fazem sua taxa de natalidade ir por água abaixo.

Estrelas são grandes e quentes bolas de gás – principalmente hidrogênio e hélio. Se o gás de dentro da galáxia for removido por algum mecanismo, não haverá mais matéria-prima. E é exatamente isso que acontece quando uma galáxia interage com suas vizinhas.

Sim: algumas galáxias vivem em aglomerados com suas companheiras, como em um bairro. Esses aglomerados podem ser mais ou menos densos, dependendo de quantas galáxias houver por perto. Se duas vizinhas estiverem muito próximas, uma pode roubar o gás da outra. É o que está acontecendo com as galáxias de Antena – sim, esse é o nome delas –, localizadas a 45 milhões de anos-luz de nós (arraste para a direita e veja a foto).

Além disso, o aglomerado também tem seu próprio gás, que fica difuso. É como um gás que pertence ao bairro todo. Que fica nos vãos entre as casas, e não nas casas em si. As casas, é claro, são as galáxias.

A diferença é que esse gás é bem mais quente e denso do que o gás interno das galáxias. À medida que a galáxia se move dentro do aglomerado, o gás de fora arranca o gás de dentro. Isso faz com que as galáxias deixem um belo rastro atrás de si.

O resultado desse processo é uma galáxia infértil, que possui apenas estrelas mais velhas, de cor amarela e vermelha (as mais jovens e gordas são azuis). A tese de doutorado de Trevisan sobre o assunto foi premiada por lançar uma luz importante sobre a evolução do Universo que nos cerca.

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