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James Webb detecta galáxia mais antiga do Universo já encontrada

Ela teria nascido 320 milhões de anos depois do Big Bang – e pode botar em xeque as compreensões atuais sobre a evolução cósmica. Entenda.

Por Leo Caparroz
Atualizado em 10 abr 2023, 15h32 - Publicado em 5 abr 2023, 19h32

O telescópio espacial James Webb detectou o que parecem ser quatro enormes galáxias antigas, que podem colocar em xeque as atuais teorias de formação do Universo. A mais distante, batizada de JADES-GS-z13-0, tem cerca de 13,48 bilhões de anos – sua luz é a mais afastada já observada até hoje.

Em dois estudos publicados na revista Nature Astronomy na última terça (4), astrônomos revelaram que inequivocamente detectaram, sem sombra de dúvida, as quatro galáxias mais distantes já observadas. Elas apareceram como uma série de pontinhos mais brilhantes e vermelhos do que o normal.

Ora, mas o que essa cor indica? Vamos explicar.

Telescópios são arqueólogos do espaço. Se uma galáxia está a 13,5 bilhões de anos-luz da Terra, significa que a luz passou todo esse tempo percorrendo o universo por todo esse tempo (na velocidade da luz, a mais rápida que se pode atingir) até chegar a nós. Ou seja: nós só conseguimos enxergar o passado dessa galáxia (e de outros corpos celestes).

Na astronomia, o brilho vermelho é um sinal de distância – e, consequentemente, de idade. A luz emitida por corpos celestes distantes demora para chegar até nós;

À medida que a luz viaja pelo Universo, seu comprimento de onda é esticado. Isso faz com que a luz visível se desloque para o vermelho – um fenômeno conhecido como redshift. Por isso que, na astronomia, brilho vermelho é um sinal de distância. A luz de corpos muito distantes, aliás, chega até aqui em infravermelho, invisível ao olho humano (mas que o James Webb consegue “enxergar”).

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Por que essa nova descoberta é importante? O Universo tem 13,8 bilhões de anos; as galáxias recém-achadas; 13,5 bi. Se a estimativa estiver correta, elas teriam surgido cerca de 300 e 500 milhões de anos após o Big Bang. É aí que mora o conflito.

Nessa época, o Universo tinha apenas 2% de sua idade atual. E a teoria mais aceita sobre a evolução cósmica defende que não existiam galáxias de grande porte nas primeiras centenas de milhões de anos após o Big Bang. O Universo seria jovem demais para isso. 

Todas as quatro galáxias têm massa muito baixa: 100 milhões de massas solares. A Via Láctea, em comparação, pesa 1,5 trilhão de sóis. Mas mesmo sendo jovens e leves, elas acompanham o ritmo na nossa galáxia na velocidade em que formam estrelas.

Algumas descobertas, por outro lado, acompanham os modelos atuais da cosmologia. As quatro galáxias, por exemplo, eram pobres em metais, já que houve pouco tempo desde o início do universo para que esses metais se formassem elementos complexos.

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Em fevereiro, o James Webb, cuja principal missão é realmente investigar os primórdios do Universo, identificou um outro grupo com seis galáxias, que se formaram entre 500 a 700 milhões de anos depois do Big Bang. Elas eram maiores que o esperado para galáxias desse período.

E o que vem a seguir? Não dá para saber – e tudo bem. Essas novas descobertas talvez signifiquem uma revisitação do que sabemos sobre a origem do universo – e esse aprimoramento da teoria frente à novos fatos é, justamente, do que se trata a ciência.

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