Clique e assine com até 75% de desconto

Nasa encontra novas evidências de gelo fresco em Encélado, lua de Saturno

O gelo vem do oceano escondido embaixo da superfície da lua. Diferente do que se pensava até então, ele é encontrado em diferentes regiões da Encélado.

Por Bruno Carbinatto 21 set 2020, 19h15

Na semana passada, a notícia de que cientistas encontraram possíveis indícios de vida nas nuvens de Vênus colocou o planeta no centro das atenções da astronomia. Mas a verdade é que a busca pro vida no Sistema Solar vai muito além disso – e um dos principais candidatos para abrigar vida é a Encélado, uma das luas de Saturno. Isso porque, há anos, sabemos que há um oceano subterrâneo possivelmente salgado embaixo de sua grossa crosta gelada, e que lá talvez existam os ingredientes para o surgimento de vida.

Além disso, sabemos que fenômenos geológicos ejetam parte dessa água para a superfície na forma de grãos de gelo no Polo Sul da lua. Mas uma nova pesquisa da Nasa revelou que outras regiões também apresentam gelo fresco, que foi depositado recentemente na superfície – tornando a lua um local ainda mais interessante para se estudar.

  • Em 2005, a sonda Cassini avistou no polo sul da lua as chamadas “listas de Tigre” de Encélado, quatro depressões paralelas que se destacam por possuírem uma alta atividade geológica. Nessa região, vapor e grãos de gelo são ejetados por gêiseres para a superfície do planeta vindos do seu oceano interno, um processo que constantemente alimenta a superfície com uma nova fonte de material sólido. Assim, a superfície congelada da região é mais “fresca” – e isso é observável em imagens que usam infravermelho, já que o gelo recente reflete os raios de luz com muita eficiência (veja na imagem abaixo).

    Em uma nova e detalhada análise dos dados da sonda Cassini, porém, astrônomos da Nasa descobriram que o fenômeno de emissão de gelo fresco não se restringe apenas às listras de tigre do planeta – ele também acontece, em menor grau, no hemisfério norte da lua. As observações em infravermelho indicam que houve deposição de gelo recentemente no planeta (pelo menos quando falamos no tempo em escala geológica), algo inédito até então. Você pode explorar a visão infravermelha da Encélado nesse mapa interativo da Nasa.

    As partes em vermelho indicam onde gelo fresco foi depositado. No hemisfério sul, a região das “linhas de tigre” se destacam. NASA / JPL-Caltech / Universidade do Arizona / LPG / CNRS / Universidade de Nantes / Instituto de Ciências Espaciais/Divulgação

    Os astrônomos ainda não sabem exatamente qual fenômeno geológico levou à deposição de gelo no norte da lua. Pode ser que tenham sido gêiseres violentos, como no caso do polo sul, ou um mecanismo mais suave, em que a abertura gradual de fraturas na superfície dão caminho para que o oceano abaixo soltasse os grãos de gelo. Essa última hipótese é mais provável, já que, aparentemente, a quantidade de gelo fresco é menor no norte.

    “O infravermelho nos mostra que a superfície do polo sul é jovem, o que não é surpresa porque sabíamos sobre os jatos que lançam material congelado por lá”, disse em comunicado Gabriel Tobie, coautor da nova pesquisa sobre a lua. “Agora, graças a esse olhar infravermelho, podemos voltar no tempo e dizer que uma grande região no hemisfério norte também parece jovem e provavelmente estava ativa há pouco tempo”.

    A sonda Cassini, responsável pelos dados em questão, orbitou Saturno por mais de 13 anos, até que esgotou seu combustível em 2017, mas sua grande base de dados ainda está sendo estudada por cientistas. Encélado, a sexta maior das 82 luas de Saturno, é especialmente atraente para nós porque seu oceano abaixo da superfície pode ter a temperatura e os ingredientes necessários para o surgimento da vida. A lua em geral é colocada entre os melhores locais para se procurar atividade biológica no Sistema Solar, ao lado da Europa (uma lua de Júpiter), além de Marte e Vênus.

    Continua após a publicidade
    Publicidade