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Nasa recruta voluntários para missão que simula vida em Marte

Os escolhidos passarão um ano dentro do Johnson Space Center, no Texas. Os voluntários irão reproduzir as tarefas que seriam necessárias em uma base espacial interplanetária.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 9 ago 2021, 19h58 - Publicado em 9 ago 2021, 17h12

Os planos da Nasa para o futuro da exploração espacial não são nada modestos: em 2024, a agência americana pretende retornar à Lua com a Missão Ártemis, que levará a mulher ao nosso satélite natural. Os resultados da Missão Ártemis já marcarão o início do próximo passo: enviar astronautas a Marte. 

A viagem de ida à Lua dura apenas alguns dias, enquanto o percurso até Marte pode levar quase um ano. Mas as agências espaciais não querem apenas um bate e volta até o planeta vermelho, e sim que seus astronautas morem algum tempo por lá. Para um passeio desta proporção, é preciso estudar os cenários e entender se os próprios mochileiros estariam prontos, física e emocionalmente, para o trabalho. Esse é um dos objetivos da missão Crew Health and Performance Exploration Analog (CHAPEA), da Nasa. A ideia é simular o ambiente de uma possível estação espacial marciana.

Por enquanto, ninguém vai para o espaço. A Nasa está recrutando voluntários para passar um ano no Mars Dune Alpha, um complexo de 160 metros quadrados localizado dentro do Johnson Space Center, no Texas. Serão três missões no total, cada uma com quatro membros na tripulação. A primeira delas tem previsão de início para o segundo semestre de 2022, enquanto as outras devem ocorrer em 2024 e 2025.

O módulo em que os voluntários ficarão hospedados foi projetado pela empresa de arquitetura Bjarke Ingels Group (BIG) e será inteiro impresso em 3D. A habitação conta com cozinha, escritório, espaço para exercícios, sala de estar, estação de cultivo de alimentos, área médica e aposentos exclusivos para cada membro da tripulação. Você pode ter uma noção melhor da planta no vídeo a seguir: 

Os voluntários irão receber um salário pelo trabalho, mas o valor não foi divulgado pela Nasa. Pode parecer umas férias remuneradas em um Airbnb moderno, mas a missão não será simples: a tripulação terá que conduzir pesquisas científicas, consertar partes da habitação, gerenciar o uso de recursos, comunicar-se com o mundo exterior, simular caminhadas espaciais, entre outras funções. Lembrando que os aspirantes a astronauta estarão simulando a vida da forma mais realista possível em Marte – ou seja, fatores estressantes como a limitação de recursos, isolamento, falha de equipamentos e cargas de trabalho significativas farão parte do cotidiano. 

Também não é qualquer amante do espaço que pode participar. O processo seletivo será semelhante àquele feito pela Nasa para recrutar seus astronautas. Em primeiro lugar, a agência está procurando por cidadãos americanos ou residentes permanentes dos EUA com idades entre 30 e 55 anos. Além disso, o voluntário deve ter proficiência em inglês, não pode ser fumante e precisa estar saudável. Os candidatos passam por uma série de avaliações físicas, e os finalistas realizam testes psicológicos e psiquiátricos. 

  • Além de estar com a academia em dia, o cérebro também precisa estar exercitado. Os voluntários devem ter um diploma de doutorado e dois anos de experiência profissional em áreas relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia ou matemática. Doutores em medicina ou bacharéis com pelo menos quatro anos de experiência nas áreas citadas também serão considerados. Pilotos com pelo menos 1.000 horas de voo em aeronaves a jato também podem se candidatar. 

    Devido à pandemia de Covid-19, ter a vacinação completa também se tornou pré-requisito para a missão, além de um teste negativo para a doença obtido pelo próprio voluntário. As inscrições ficarão disponíveis neste link até o dia 17 de setembro de 2021. 

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