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Nasa vai mandar rover para mapear água na Lua

Jipinho vai rodar por vários quilômetros ao longo de 100 dias no polo sul lunar para entregar levantamento global do gelo no satélite.

Na última sexta (25), a Nasa revelou seus planos para uma empreitada inédita. Anunciou que vai enviar um rover – isto é, um jipinho robótico não-tripulado –, para explorar alguns quilômetros do polo sul da Lua por 100 dias em 2022. Apelidado com a sigla VIPER (“víbora”, em inglês), o nome oficial do veículo do tamanho de um carrinho de golfe é Rover de Exploração Polar para a Investigação de Voláteis. Seu maior objetivo é farejar água.

Com essa missão, a agência pretende solucionar algumas dúvidas cruciais que já há 10 anos permanecem sem resposta. Qual é a quantidade de água existente na Lua e quanto dessa água é passível de ser coletada? Onde exatamente ficam as maiores reservas? Desde que a agência espatifou um projétil no polo sul lunar e analisou a pluma de poeira com a sonda LCROSS, em 2009, sabe-se que nosso satélite natural tem grandes depósitos de H2O.

Outras sondas de países como a Índia confirmaram a constatação nos anos seguintes. Só que, de lá para cá, ninguém desenhou nenhuma espaçonave que fosse capaz de fazer um aprofundamento da questão. Ficou por isso mesmo. E a investigação é estratégica para o futuro da exploração espacial, no qual a água será tão vital quanto na Terra — ou mais. Quebrar moléculas de H2O ajudará astronautas a sobreviver e foguetes a sair do lugar. 

Com o oxigênio é possível abastecer os sistemas de suporte à vida que permitem aos seres humanos respirarem no vácuo do espaço. E tanto ele quanto o hidrogênio são combustíveis para naves espaciais explorarem Marte e o resto do Sistema Solar. Diante da importância imensa desse valioso recurso, não é nenhuma surpresa que a Nasa e outras agências espaciais, como a chinesa e a indiana, tenham grandes planos para o polo sul lunar.

É ali que os cientistas acreditam estar as maiores reservas. Para desvendar seus mistérios, o Viper contará com quatro instrumentos científicos que farão um belo trabalho em equipe. Vai funcionar assim: uma geringonça chamada NSS detecta as regiões “molhadas” promissoras do subterrâneo. Ela levanta a bola para o escrutínio de outras duas engenhocas chamadas MSolo e do NIRVSS, que vão determinar a composição e a concentração do recurso.

O quarto instrumento é o elemento central da missão — uma broca chamada TRIDENT, que vai perfurar o solo lunar a um metro de profundidade para coletar amostras fresquinhas dos terrenos mais auspiciosos. Para tornar o levantamento ainda mais abrangente, a Nasa planeja fazer o VIPER a estudar áreas com diferentes condições de temperatura e luminosidade.

Por meio da avaliação de três tipos de locais (eternamente sombreados, sempre iluminados e ocasionalmente na luz), será possível obter um entendimento mais global de como a água está armazenada no solo lunar e produzir o primeiro mapa detalhado do recurso. Dois anos depois, em 2024, a Nasa pretende enviar para o mesmo polo sul a missão Ártemis 3, que fará a primeira mulher e o próximo homem pisarem na Lua.

Esse novo programa da agência foi batizado em homenagem à deusa grega que era irmã gêmea de Apollo. É um duplo simbolismo que faz referência tanto ao pioneirismo feminino na exploração lunar quanto ao vínculo e continuidade com as missões Apollo. Mas, nessa nova era, o projeto é mais ambicioso: construir uma arquitetura sustentável e permanente.

Com a ajuda da indústria e de outras agências espaciais, a ideia é nada menos que fazer da Lua uma base, um entreposto para partir com maior facilidade para destinos mais distantes, como Marte e além. Só assim conseguiremos ascender aos céus — e efetivamente fazer deles nossa morada. É certo que lá, como aqui, a água será a substância mais preciosa.

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