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Neurocinema

Cansado de ver filmes chatos? Ouça o seu neocórtex

Texto Bruno Garattoni e Diogo Gomes

Você lê uma resenha no jornal, ou aceita a sugestão de um amigo, e vai ao cinema ver aquele filme que acaba de estrear. E aí vem a frustração: não é que o filme é chato pra caramba? Mas um estudo feito pela Universidade de Nova York mostrou que é possível determinar, cientificamente, se um filme é interessante ou não. Basta olhar o cérebro de quem está assistindo. Enquanto um grupo de 45 voluntários assistia a trechos de filmes e séries de TV, os cientistas mediam sua atividade cerebral com um aparelho de ressonância magnética. Somando e comparando os dados, eles conseguiram determinar qual porcentagem do neocórtex cada filme estimulou – quanto maior o estímulo, mais o espectador está prestando atenção. E os resultados mostraram diferenças impressionantes (veja abaixo). “Para fazer sucesso, o filme tem que ativar todas as regiões [do cérebro]”, explica o neurocientista Uri Hasson, autor do estudo. Ele diz que os estúdios de Hollywood poderiam testar o impacto cerebral de seus filmes antes de lançá-los. Mas abre uma exceção para as obras mais “cabeçudas”. “Nos filmes de arte, europeus, os diretores tendem a deixar ambigüidades no ar. Nesses casos, uma falta de controle sobre a atividade cerebral pode ser positiva”, explica.

Blockbusters do cérebro

Os vídeos que mais excitam os neurônios

1. “Bang! You’re Dead”

Autor: Alfred Hitchcock

O mestre do suspense “consegue orquestrar a resposta de muitas partes do cérebro. É uma comprovação neurocientífica de sua capacidade de manipular os espectadores”, afirma o estudo.

2. “Três homens em conflito”

Autor: Sergio Leone

Apesar da bela fotografia e da presença de Clint Eastwood, o ponto forte desse clássico do faroeste é outro: o som. De todos os filmes analisados, ele foi o que mais estimulou as partes do cérebro ligadas à audição.

3. “Curb your Enthusiasm”

Autor: Larry David

Estrelada pelo co-autor de Seinfeld, a série de TV não empolgou. Segundo os cientistas, isso acontece porque ela é gravada de improviso, sem roteiro – e essa falta de estrutura dispersa a atenção do cérebro.

4. Gente passando na rua

Os voluntários também assistiram a um vídeo sem edição, que mostra pessoas andando a esmo na rua. Um tédio só – comprovado por seu baixíssimo impacto nas áreas do cérebro que processam estimulos visuais e auditivos.