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Por que ainda não encontramos ETs? Perguntamos à NASA

Não faltam tentativas bizarras para explicar como seria a vida em outros planetas, mas encontrá-la por aí tem sido um baita desafio. Pensando nisso, a SUPER pediu ajuda à NASA para esclarecer o mistério

Já falamos do Paradoxo de Fermi e das teorias mais loucas que explicam porque ainda não encontramos aliens. Mas oficialmente, o que dizem os especialistas? Por que ainda não batemos um papo com nossos vizinhos? Para descobrir, falamos com o especialista em astrobiologia da NASA, Steven Dick, que chegou a ter um planeta batizado com seu nome (o 6544 Stevendick). E a resposta dele segue o mesmo princípio do paradoxo: “A nossa galáxia tem mais ou menos 200 bilhões de estrelas, e existem mais outros bilhões de galáxias. Então, nós não sabemos exatamente para onde olhar, mesmo se limitarmos a procura às estrelas parecidas com a nossa”, diz o expert, que também foi chefe do departamento de História da agência norte-americana. Mas a NASA está otimista, e aposta que vai conseguir achar a agulha no palheiro em aproximadamente 20 anos.

Não é só o tamanho propriamente dito do espaço que atrapalha nosso caminho até os aliens. Como Dick explica, a tentativa de captar sinais de rádio não é tão precisa, já que os cientistas se desdobram para monitorar várias frequências. “É como se tivéssemos um rádio com bilhões de estações em que podemos sintonizar, mas não sabemos qual escolher”, resume o astrônomo. Mesmo que, agora, os aparelhos consigam ficar de olho em várias frequências ao mesmo tempo, ainda restam bilhões de ondas sendo emitidas por aí. Basta pensar nos números dessa equação. Se a estimativa é que a nossa galáxia tenha de cerca de 200 bilhões de estrelas, mas o Universo todo deve ter umas 175 bilhões de galáxias, imagine a trabalheira para acompanhar as ondas de rádio que aparecem por essa imensidão. Daí que boa parte acaba escapando. 

Outro ponto importante nessa história é o que estamos procurando, quais sinais achamos que merecem uma investigação aprofundada. “O mantra da NASA tem sido esse: ‘procure por água’”, explica Dick. E não é pra menos, já que a nossa experiência aqui na Terra aponta que seres vivos precisam do líquido para sobreviver. O mesmo vale para a procura por uma atmosfera semelhante à nossa, com bastante oxigênio disponível, e para as moléculas orgânicas que constituem os seres vivos. A dúvida que persiste é se a vida em outros lugares do Universo seguiria o mesmo padrão. “Pode ser que a vida seja baseada em outros elementos, como o silício, e não o carbono. Ou até que seja pós-biológica, um tipo de inteligência artificial”, exemplifica Dick.

Mas as buscas avançaram. Só nos últimos 20 anos, foi confirmada a existência de mais de 2.000 planetas fora do sistema solar – e mais milhares aguardam a confirmação. “Alguns estão nas zonas habitáveis de suas estrelas, o que significa que eles podem abrigar formas vivas. Um grande problema é que não sabemos muito sobre a origem da vida na Terra, o que torna bem difícil fazer qualquer afirmação sobre outro planeta”, resume Dick. Mesmo não tendo certeza se a NASA vai mesmo conseguir encontrar vida extraterrestre em 20 anos, ele aponta que as perspectivas são boas. Para começar, o satélite James Webb, que vai suceder o atual Hubble, conseguirá detectar “bioassinaturas” na atmosfera de outros planetas. Ou seja: evidências de oxigênio e metano que podem indicar existência de vida serão flagradas pelo equipamento. A ajuda financeira também é um fator de destaque: o SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), um órgão privado que funciona como um receptor de mensagens do espaço, onde Dick exerce agora o cargo de chefe do departamento de História, acabou de receber uma doação de 100 milhões de dólares para investir ainda mais pesado em tecnologia espacial