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Rato-toupeira: A natureza cria um novo olho

Animal que vive em tocas subterrâneas e não tem visão apresenta uma espécie de controle óptico para ajustar o seu ciclo de vida.

Eles existem, embora sempre cobertos pela antiga pálpebra, agora indiferenciável da pele comum. São os olhos do rato-toupeira Spalax ehrenberghi, habitante de escuras tocas subterrâneas. Já não são olhos – que se imaginava apenas atrofiados – mas sim um novo órgão, uma espécie de controle óptico para ajustar o ciclo vital do Spalax. Saber se é noite ou dia, verão ou inverno é essencial para o organismo manter sua temperatura interna, as atividades de seus músculos, ou decidir se está na hora do acasalamento. Todos os mamíferos, por isso, têm uma espécie de “relógio” interno. O papel do novo olho do Spalax é evitar que o relógio da vida se atrase ou se adiante. Basta uma única e rápida saída diária da toca: a luz fraca e difusa que atravessa a pele ajuda o organismo a ajustar seu ciclo vital. Logo, o antigo olho não está desaparecendo por falta, de uso: ele está evoluindo. E o que sugerem os cientistas Howard Cooper e Marc Herbin, que trabalham na França, e Eviatar Nevo, israelense. Certas partes do antigo olho estão de fato em degeneração: aquelas essenciais à visão clara e nítida, que o Spalax não pode ter e já não precisa. Outras, como os sensores de luz esmaecida, se mantém e asseguram ao Spalax ótima adaptação às condições de vida.