Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Robô Curiosity capturou imagens de nuvens brilhantes no céu de Marte

Essas felpudas, fora de época para o ano marciano, deram um show com a luz do crepúsculo – e parecem ser feitas de dióxido de carbono congelado, o famoso gelo seco.

Por Carolina Fioratti 1 jun 2021, 18h22

Pense num robô vagando sozinho por anos em um ambiente inóspito e alaranjado. Não, não estamos falando de Wall-E. O camarada em questão é o Curiosity, um rover da Nasa que pousou em Marte em agosto de 2012 e segue ativo até os dias de hoje. Ele foi enviado com o objetivo de investigar o clima e a geologia marciana; e continua realizando seu trabalho com qualidade mesmo apesar da idade avançada para os padrões robóticos. 

Na última semana, a Nasa divulgou imagens de nuvens brilhantes no céu de Marte capturadas pelo Curiosity. A luminosidade não foi a única coisa que surpreendeu os pesquisadores: as nuvens em si apareceram mais cedo que o esperado para a época do ano no Planeta Vermelho.

Apesar de nuvens serem algo comum na Terra, elas são raridade em Marte. Por lá, costumam surgir apenas nos períodos mais frios do ano marciano, e se aglomeram perto da linha do equador.

O Planeta Vermelho tem estações do ano similares às que conhecemos, porque seu eixo de rotação também é inclinado (25,2º, contra os 23,4º da Terra). Mas há um fator extra em jogo: a distância do Sol em diferentes pontos da órbita. Na Terra, essa variável não influencia de maneira sensível nas temperaturas; em Marte, sim. O planeta como um todo fica mais frio quando está mais longe da estrela, independentemente de ser verão ou inverno no hemisfério em que você está. 

A descoberta das nuvens “precoces”, como foram chamadas pela Nasa, não é tão recente assim. Na verdade, os cientistas perceberam a presença delas sobre o rover dois anos terrestres atrás – o equivalente a um ano marciano. Sabendo que elas surgiriam de novo neste ano, os cientistas se prepararam para documentá-las assim que voltassem a aparecer no céu, o que ocorreu no final de janeiro.

Continua após a publicidade

As rechonchudas tradicionais, que surgem no auge do frio, costumam ficar a uma altitude de, no máximo, 60 km, além de serem compostas por gelo e água. Já essas nuvens “precoces” parecem estar em uma região muito mais alta da atmosfera – a altitude exata ainda não foi determinada –, onde faz muito frio. Sua composição química também é diferente: elas provavelmente são formadas por dióxido de carbono congelado, o famoso gelo seco. 

O brilho não foi causado por nenhuma treta de heróis da Marvel no espaço. Nuvens reluzentes como as da foto que abre este texto são chamadas de noctilucentes ou crepusculares, e sua luminosidade aparece quando cristais de gelo (ou, neste caso, de gelo seco) espalham a luz do Sol poente em várias direções. 

Há também as nuvens iridescentes, também conhecidas como nuvens de madrepérola, que exibem tons pastéis cintilantes. Rosa, amarelo, azul: as partículas cristalizadas no interior dessas felpudas funcionam como o famoso prisma de Newton, decompondo luz em diferentes cores. Os responsáveis pelas fotos explicam que essa aquarela não é visível apenas pelas lentes do robô: se houvesse astronautas por lá, eles poderiam presenciar o jogo de luz. 

Foto de nuvens capturadas em Marte pelo rover Curiosity.
Nuvens iridescentes trazem tons pastéis cintilantes ao céu marciano. NASA/JPL-CalTech/MSSS/Reprodução

As imagens em preto e branco, como a que você vê abaixo, foram obtidas a partir das câmeras de navegação do Curiosity, e mostram com maior precisão as estruturas finas e onduladas das nuvens. Os cliques coloridos tem outra fonte: foram tirados com a Mastcam, uma câmera que costura imagens de vários ângulos para criar um panorama da paisagem ao redor do rover. Ela imita melhor a visão humana. 

Foto de nuvens capturadas em Marte pelo rover Curiosity.
As fotos tiradas em preto e branco valorizam a textura das nuvens de Marte. NASA/JPL-CalTech/MSSS/Reprodução

 

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)