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Saiba tudo sobre a sonda InSight – que decola para Marte no sábado

A nave da Nasa não está atrás de vida ou água: vai investigar os terremotos do planeta vermelho – e aprender mais sobre sua história de 4,5 bilhões de anos

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
2 Maio 2018, 16h06

A Nasa está de malas prontas de novo. Será lançada da Califórnia na manhã do próximo sábado (5) a sonda InSight, projetada para detectar e analisar os terremotos de Marte. Os dados sismográficos servirão para investigar a crosta, o manto e o núcleo do planeta vermelho – e descobrir no que seu recheio é ou não parecido com o da Terra.

Se tudo der certo, a InSight decolará às 8h15 da manhã (horário de Brasília) a bordo de um foguete Atlas V-401 da base aérea de Vandenberg, no meio do caminho entre São Francisco e Los Angeles, e levará seis meses para chegar a Marte. Será o primeiro lançamento interplanetário na costa oeste dos EUA – boa parte das missões não-tripuladas da Nasa saíram de Cabo Canaveral, na Flórida.

O nome InSight é um trocadilho com a palavra inglesa insight, que não tem uma tradução ideal em português, mas significa algo como “sacada” ou “percepção”. Na verdade, as letras formam o interminável acrônimo Interior Exploration Using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport (exploração do interior, usando investigação sísmica, geodésica e transporte de calor).

Bruce Banerdt, cientista-chefe da missão, afirmou ao New York Times que a sonda pousará em uma região chamada Elysium Planitia – o pedaço mais monótono da superfície de Marte: “Nós escolhemos o mais próximo de um estacionamento de 100 quilômetros que deu para encontrar”. É provável que não haja montanhas ou sequer pedras no campo de visão do veículo.

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O isolamento geográfico é proposital: ao contrário de boa parte dos jipinhos enviados ao planeta vermelho até agora, a InSight não vai lá procurar indícios de água ou vida microscópica. Na verdade, ela não vai procurar nada, porque não tem rodas: a sonda de 625 kg passará toda a duração da missão – um ano marciano, o equivalente a 728 dias terrestres – em um ponto fixo da superfície, analisando o solo. Nesse caso, a prioridade é garantir um local de pouso seguro e estável. E quanto mais lisa a pista, melhor.

As informações da InSight não servirão só para munir os astronautas do futuro com informações sobre prováveis “martemotos” (marsquakes) – como foram apelidados os tremores de terra do nosso vizinho cósmico. A análise de abalos sísmicos nos dará informações sobre a história geológica de Marte desde sua formação, há 4,5 bilhões de anos. Em última instância, isso significa entender melhor a juventude conturbada do Sistema Solar.

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A sonda carregará vários instrumentos científicos, que, assim como ela, foram batizados com siglas. Dois têm funções bem simples: o HP3, de fabricação alemã, é basicamente um termômetro enterrado, capaz de medir quanto calor o interior do planeta emana para a superfície sem interferência das variações climáticas lá fora. Ele tem alguns truques, porém – como emitir seus próprios pulsos de calor para ver como eles se distribuem pelo solo. Já o SEIS, de origem francesa, é responsável por captar vibrações sutis na superfície – tanto as causadas por fenômenos no interior de Marte quanto as motivadas por choques de meteoritos ou tempestades.

A InSight terá companhia na viagem: em sua cola irão dois satélites de comunicação chamados Mars Cube One, ou MarCO. Anexos a parte, elas têm o tamanho aproximado de maletas de executivo – as típicas de desenhos animado – e vão intermediar o envio das informações do solo marciano para o solo terráqueo. Essas duas anteninhas escudeiras não são essenciais para a missão, mas servirão como um teste valioso para a implantação, em um futuro ainda distante, de uma rede de telecomunicações interplanetária.

Boa viagem, InSight. Não vá ficar entediada com a paisagem.

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