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Telescópio espacial James Webb, da Nasa, deve ser lançado em dezembro

O novo observatório, que ficará localizado a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, deve ajudar os astrônomos a compreender a formação das primeiras estrelas e galáxias do universo.

Por Carolina Fioratti 22 set 2021, 15h31

O Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, foi lançado três décadas atrás. Ele contribuiu e continua contribuindo para a astronomia, mas já não é o satélite mais moderno da agência. No dia 18 de dezembro, à bordo do foguete Ariane 5 da Agência Espacial Europeia (ESA), deve ir ao céu seu sucessor: o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que promete enxergar mais longe do que o Hubble. 

O projeto do James Webb, que recebe o nome de um ex-administrador da Nasa, não é recente. Ele foi idealizado em 1996 e, desde então, recebeu um investimento de US$ 10 bilhões. A equipe por trás do novo observatório soma 1.200 pessoas, entre cientistas, técnicos e engenheiros de 14 países. 

Como será capaz de enxergar muito longe, o telescópio irá investigar eventos que aconteceram 13,6 bilhões de anos atrás, chegando à formação das primeiras estrelas e galáxias, que surgiram 100 a 250 milhões de anos após o Big Bang. A luz de objetos nessa parte distante do universo é desviada para o vermelho, sendo necessários telescópios infravermelhos para observá-los. O JSWT tem essa capacidade, enquanto o Hubble observa principalmente a luz ultravioleta e elementos visuais do espectro eletromagnético.

  • O novo telescópio também será o maior já lançado ao espaço. Ele possui 6,5 metros de largura, tendo 18 espelhos hexagonais que, juntos, formam algo parecido com uma colmeia. Os espelhos servem para refletir a luz das galáxias e estrelas para as câmeras e os sensores do telescópio. Quanto maior sua área, mais luz é coletada e, consequentemente, mais objetos podem ser vistos. A superfície espelhada do James Webb é 6,25 vezes maior do que a do Hubble. 

    Mas não é só o tamanho que importa: também é preciso manter o telescópio a uma temperatura de 220 ºC negativos. Se a temperatura estiver mais alta, os sensores infravermelhos do JWST detectarão seu próprio calor, atrapalhando a observação das galáxias. Para evitar o problema, o telescópio terá uma espécie de escudo que deverá protegê-lo dos raios solares.

    O lançamento está planejado para ocorrer no centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Depois disso, a nave contendo o observatório deverá viajar por cerca de 1,5 milhões de quilômetros até atingir um ponto de Lagrange entre a Terra e o Sol – um espaço em que a força gravitacional das massas se cancelam, e o objeto colocado se mantém ali sem muito esforço. Depois disso, será preciso esperar mais 35 dias para que o telescópio esfrie e ative seus espelhos. 

    Além de explorar o nascimento de galáxias e a formação de estrelas, o telescópio também deverá auxiliar cientistas no estudo de exoplanetas e outros objetos do nosso sistema solar, como Marte, Plutão, asteroides e cometas. Se tudo correr como o planejado, as primeiras imagens captadas pelo JWST deverão ser liberadas a partir de junho de 2022.

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