Unicamp critica pílula anticâncer desenvolvida na USP
Estudo da universidade contesta a eficácia da fosfoetanolamina - que também vem misturada a outras substâncias
Mais um capítulo da novela “pílula do câncer”: a Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, contesta a eficácia da fosfoetanolamina. A convite do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MTCI), a universidade testou a substância – e concluiu que a pílula, desenvolvida pela USP de São Carlos, não é tão pura nem tão eficaz quanto defendem seus criadores.
A primeira divergência está no peso das cápsulas. Ele deveria ser de 500 mg – mas os testes da Unicamp notaram uma grande variação, de 233 a 509 mg. Os pesquisadores também encontraram outras substâncias misturadas à fosfoetanolamina sintética: cálcio, magnésio, ferro, manganês, alumínio, zinco e bário. Na prática, as cápsulas continham apenas 32,2% de fosfoetanolamina, em média – todo o resto era composto por outros elementos.
O estudo da Unicamp também afirma que a fosfoetanolamina não age contra as células tumorais. Apenas a monoetanolamina, presente em menor concentração na pílula da USP (18,2%), parece ter algum efeito nesse sentido. No entanto, são necessárias altas doses da substância para acabar com as células doentes e evitar sua proliferação.
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Desde fevereiro deste ano, a USP mantém uma nota oficial, no site do Instutito de Química de São Carlos, se pronunciando sobre o tema. Afirma que a pílula do câncer foi estudada de forma independente pela equipe do professor Gilberto Chierici, já aposentado, e que não é endossada pela USP como instituição. “A Universidade não dispõe de dados sobre a aplicação dessa substância para o tratamento de qualquer doença em seres humanos, nem possui acesso aos elementos técnico-científicos necessários para a produção da substância. Todo conhecimento é restrito ao docente aposentado e à sua equipe e está protegido por patentes”.
No dia 22 de março, o Senado aprovou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) que autoriza a produção e o uso da fosfoetanolamina sintética antes mesmo do término dos estudos científicos exigidos pela Anvisa. A liberação da substância, que tem sido criticada por especialistas, agora depende da sanção da presidente Dilma Rousseff.
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