Testamos o Nintendo Switch 2 e sete jogos; confira primeiras impressões
Tela maior, mais poder gráfico e controle com novos recursos são destaques do novo console - que nos EUA vai custar 30% a mais do que o Switch atual, mas no Japão não; entenda por que

NOVA YORK – Após a apresentação do Switch 2, ontem, passei o resto do dia em um evento realizado pela Nintendo, onde foi possível testar o console (que será lançado nos EUA dia 5 de junho) e demonstrações de alguns de seus jogos.
O Switch 2 é bem maior do que o antecessor, por causa da tela: ela tem 7,9 polegadas e resolução 1080p (contra 7″ e 720p do modelo atual). Trata-se de um LCD – não um OLED, como no Switch atual. Mas a tela é bem brilhante, com cores fortes e contraste razoável (ela suporta o modo High Dynamic Range).
O novo console tem 535 gramas, contra 420 do anterior. Você imediatamente percebe isso. Mas o peso é bem distribuído, não chega a incomodar – especialmente se você jogar com os braços apoiados em alguma superfície.

A qualidade de construção do Switch 2 é nitidamente superior à do modelo atual. O plástico do chassi é mais denso e rígido, e os joy-cons (controles destacáveis) se conectam magneticamente ao console. Esse encaixe é preciso e perfeito: não há a folga entre peças que às vezes afeta os controles do Switch 1, fazendo com que eles deem uma pequena “bambeada” durante o uso.
Vamos aos jogos – lembrando que eram demos, não versões completas (ou finais).
O primeiro também pareceu ser o melhor: “Mario Kart World” tem tudo para agradar ao público. Suas pistas são enormes, com voltas que duram vários minutos, muitos elementos gráficos e efeitos especiais na tela ao mesmo tempo, em corridas frenéticas com até 24 jogadores online.
O mundo aberto, que permite dirigir livremente pelo mapa entre as corridas, não estava disponível na demo. “Mario Kart World” ilustra bem a capacidade gráfica do novo console. É um claro passo à frente do Switch 1 – que não conseguiria rodar esse jogo.
Outro título que ele jamais conseguiria rodar é o pesado “Cyberpunk 2077”, que foi o terror dos consoles da geração passada – e será lançado para o Switch 2. O jogo tem dois modos no novo console da Nintendo: qualidade (30 fps) e performance (40 fps). A segunda opção é claramente a melhor: a perda de detalhes gráficos é mínima, e a taxa de quadros fica bem mais estável.
Deu para notar que o jogo estava usando upscaling: em cenas de movimento rápido, alguns detalhes exibiam o efeito colateral de “esfarelamento” típico da tecnologia FidelityFX Super Resolution (FSR), da AMD, que é usada em diversos jogos dos consoles atuais.
Durante o evento da Nintendo, os desenvolvedores do Switch 2 afirmaram que ele é compatível com a tecnologia DLSS (Deep Learning Super Sampling), da Nvidia – que fornece o chipset empregado no console.
O algoritmo DLSS usa inteligência artificial para aumentar a resolução da imagem, e costuma gerar resultados excelentes, quase perfeitos. Porém, na demonstração de “Cyberpunk 2077”, o upscaler ainda era o FSR (informação confirmada por um colaborador da empresa presente à demo). É possível que o jogo receba uma atualização para habilitar o DLSS.
Em seguida, testei a versão para Switch 2 de “Zelda: Tears of the Kingdom” – que, assim como “Breath of the Wild”, terá uma atualização para o novo console, com gráficos melhorados. Com o console plugado a uma TV, eles realmente parecem melhores, com menos serrilhamento e cintilação (efeitos colaterais da menor resolução do Switch 1).
“Metroid Prime 4: Beyond” demonstra duas características do novo Switch 2: roda a 120 quadros por segundo (o que será possível em alguns games), e permite usar o joy-con direito como um mouse – você desliza o controle pela mesa, como se estivesse jogando um shooter no PC. Funciona surpreendentemente bem. Mas, se você preferir, pode jogar do modo tradicional, usando os dois controles analógicos.
“Civilization VII” também permite usar o joy-con como mouse, o que faz toda a diferença: seria difícil acessar todos os menus e controles do game (um simulador de história, cheio de opções) sem isso.
A versão para Switch 2 de “Kirby and the Forgotten Land” tem cenários bonitos, e um mundo adicional para jogar. É divertido, mas não muito desafiador – bem ao estilo da franquia, mais voltada ao público infantil (ou a quem busca uma experiência relaxante).
Já “Donkey Kong Bananza” (trocadilho com a palavra “bonança”) é um platformer 3D mais intenso, com grau de dificuldade interessante e bons gráficos, que chamam a atenção pela profusão de efeitos de partículas. Com uma ressalva: em alguns momentos da demo, a taxa de quadros do jogo oscilava um pouco. Ele ainda não está rodando liso.
Nos EUA, o Switch 2 vai custar US$ 449, bem mais do que o modelo atual (cujo preço de tabela é US$ 349, mas pode ser encontrado no varejo por US$ 300). Além disso, alguns jogos também serão mais caros. Os dois primeiros lançamentos, “Mario Kart World” e “Donkey Kong Bananza”, serão vendidos por US$ 80 e US$ 70, respectivamente.
No caso de “Mario Kart World”, dá para contornar isso comprando o jogo junto com o console (o bundle sai por US$ 499). Mas fica clara a intenção da Nintendo, assim como outras empresas do setor de games, de elevar os preços.
Esse parece ser o principal desafio para o Switch 2. Se ele mantivesse o preço atual, e seus jogos também, seria um hit certeiro. Como vai custar bem mais, o mercado (e a qualidade dos games, conforme eles forem sendo lançados) decidirá.
Um ponto interessante é que, no Japão, o Switch 2 será vendido por 49.980 ienes, o equivalente a US$ 337. Ou seja, o aparelho será 25% mais barato do que nos EUA. Mas com um porém: sua interface só funciona em japonês.
O mercado nipônico também receberá uma versão multi-linguagem, que permite mudar o idioma, mas ela vai custar 69.980 ienes (US$ 473). Possivelmente para evitar que seja revendida por terceiros para os EUA.
Essa diferença de preços entre Japão e EUA, bem maior que a habitual, se insere num contexto de confusão econômica provocada pela decisão da Casa Branca, ontem, de impor tarifas de importação aos produtos de 185 países – muitos dos quais poderão instituir tarifas retaliatórias.
No Brasil, onde videogames são especialmente caros, a elevação no preço do console e dos jogos (caso a Nintendo decida transpor os valores cobrados nos EUA, sem fazer ajustes) poderá ter um impacto exponencial, influindo decisivamente nas chances de sucesso do Switch 2.
Os valores a serem praticados no mercado brasileiro -onde o console chegará em 5 de junho, mesmo dia do lançamento global- ainda não foram divulgados.
O jornalista viajou aos EUA a convite da Nintendo.