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Estamos preparados para viver tanto tempo?

Aprendemos de tudo ao longo da vida. Mas ninguém nos ensina a encarar o passar dos anos.

Por Leonardo Oliva 21 jul 2025, 10h00
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Estamos vivendo mais do que nunca, porém, sem ainda saber ao certo o que fazer com estes anos adicionais. Envelhecer continua sendo, para muitos, sinônimo de decadência, inutilidade e solidão. Mas não precisa – e não deve – ser assim. A longevidade é uma conquista da humanidade e um grande privilégio. Afinal, a alternativa não é nada interessante: morrer cedo. A pergunta é: estamos preparados para esse processo?

Envelhecer bem não acontece por acaso. É resultado de escolhas, hábitos e principalmente de conhecimento. Curioso é pensar que passamos a vida nos preparando para o vestibular, primeiro emprego, filhos – mas não nos preparamos para envelhecer. Aprendemos a andar, comer, tomar banho; aprendemos conteúdos e mais conteúdos, mas ninguém nos ensina a encarar o passar dos anos.

Isso se torna um erro com consequências reais: adiamos cuidados com a saúde, negligenciamos a importância da vida ativa, subestimamos o impacto da solidão e do sedentarismo, e muitas vezes nos tornamos reféns do preconceito contra a própria velhice. Além disso, raramente estamos preparados para lidar com os momentos mais difíceis, quando, por exemplo, perdemos nossa autonomia e independência.

Ensinar a envelhecer não é falar de remédios ou dietas milagrosas. É ensinar autonomia, estimular conexões sociais, incentivar o autocuidado, valorizar o corpo em todas as fases da vida. É também falar de propósito, de projetos, de sexualidade, de espiritualidade – porque envelhecer também é continuar vivendo.

Aos 60, 70 ou 80 anos, ainda há muito que se construir e conquistar. Mas precisamos mudar a forma como vemos – e vivemos – o envelhecimento. Isso também significa questionar a cultura do antiaging, que vende a juventude eterna como ideal de sucesso e beleza, alimentando medo e rejeição à velhice.

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Precisamos parar de tratar o envelhecimento como inimigo, e começar a encará-lo como parte natural e valiosa da vida. Essa mudança começa com educação. Desde cedo. Nas escolas, nas famílias, na mídia. Educação para valorizar a vida, mas também para enfrentar suas perdas e limitações.

Como disse nosso eterno Papa Francisco: “Envelhecer não é uma condenação, mas uma bênção. A velhice pode ser uma época de grande sabedoria e espiritualidade. Não devemos temer a velhice, nem hesitar em abraçá-la, porque a vida é a vida”. Que possamos aprender a envelhecer em busca de um futuro com mais saúde, mais dignidade, mais respeito e mais alegrias.

Leonardo Oliva é médico geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

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