Assassin’s Creed e o dilema do Feitiço do Tempo
Imagine um mundo onde as mesmas ações tendem a se repetir. Essa é a rotina vivida por Phil Connors no filme Feitiço do Tempo. Interpretado pelo comediante Bill Murray, o personagem do longa trabalha como homem do tempo de uma TV de Pittsburgh, nos Estados Unidos. O enredo mostra Connors preso no espaço-tempo, onde um dia se repete diversas vezes. Ao longo da trama, ele começa a reavaliar suas prioridades e atitudes. Poético, não?
Mas Massao, por que você está falando sobre um filme de comédia em um blog de games? Bom, o motivo é bem simples, pequenos gafanhotos. Hoje (12), a Ubisoft anunciou mais um jogo da série Assassin’s Creed. Intitulado Assassin’s Creed: Syndicate, o game rola em Londres durante a Revolução Industrial, no ano de 1868, e tem temática inspirada na Era Vitoriana. Nele, os jogadores controlarão a dupla de assassinos Jacob e Evie Frye na luta contra a tirania. O período temporal era um dos mais pedidos pelos fãs da série. Com a novidade, a franquia dos assassinos já acumula 15 jogos, incluindo aqueles para consoles portáteis ou smartphones. Agora, vamos voltar um pouco no tempo…
21 de março de 2014. A mesma Ubisoft anunciava Assassin’s Creed: Unity, e a então novidade, exclusiva para os consoles de última geração (PS4 e Xbox One, além do PC), se passava na época da Revolução Francesa. Os resultados foram contraditórios. Segundo o site VGCHARTZ, 6 milhões de cópias foram vendidas. O game, contudo, recebeu notas, no máximo, medianas, tendo média de 70 dos 100 pontos possíveis no site de resenhas Metacritc. Apesar dos elogios a respeito da recriação de ambientes e cenários, a grande maioria das críticas aponta falhas em desempenho e mecânica, além de um roteiro não muito convidativo e jogatina repleta de bugs, só solucionados semanas após o lançamento.
Aqui entra meu lado de fã, desculpe qualquer coisa. Acompanho a série desde o primeiro jogo no Xbox 360. A jogabilidade, na época, era de tirar o fôlego. Mas, com o tempo, o parkour, que, em minha opinião, servia como ótimo atrativo, virou rotina. O enredo teve altos e baixos. A disputa de poder entre templários e assassinos? Banal. Quanto maior o mapa, maior a sensação de “truques velhos em roupas novas”. Entre 2007 e 2014, destaco dois pontos que ressaltam como a franquia anda em uma montanha-russa.
Em 2012, quem debutava na história era Assassin’s Creed III. Ambientado na revolução americana de 1775, o game tinha um louvável cuidado com os locais selvagens dos Estados Unidos, história com boas reviravoltas e mecânicas recauchutadas. Tanto que a exploração naval era, de longe, a parte mais divertida. O amor da crítica, e deste querido editor, pelos mares foi correspondido no ano seguinte. Assassin’s Creed IV: Black Flag finalmente “deu com os burros n’água”, no bom sentido, e abraçou a temática pirata. Finalmente veio o tão esperado sopro de vitalidade necessário para restaurar a série. As avaliações, enfim, apontavam uma possível melhora.
O que me levou a dar esta longa volta? A motivação para exemplificar que, com mais de oito anos de estrada, a franquia continua passando por constantes oscilações, sempre presa a alguns preceitos sacramentados pelo seu incontestável sucesso e com uma áurea quase inegável de “eu já fiz isso antes”. A grande pergunta deste texto, cuja resposta eu quero ouvir de você, é: precisamos mesmo de um novo Assassin’s Creed?
Não quero influenciar o seu pensamento, mas tenho certeza de que a Ubisoft acertará em cheio na recriação de cenários e na ambientação. Porém, será inegável não comparar Syndicate com seus antecessores, principalmente com o infeliz acidente chamado Unity.
A desenvolvedora francesa decidiu colocar seu grupo de moços escaladores de prédios como um carro-chefe, e agora é hora de colher os frutos do seu frenético ritmo de desenvolvimento ou sofrer a pancada.
Você provavelmente já se perguntou como uma empresa consegue produzir novos títulos anualmente. Bom, na verdade, a tarefa de colocar um novo Assassin’s Creed na rua começa anos antes do anúncio. Além do mais, esse fardo é dividido entre os vários estúdios da Ubisoft pelo globo. Por exemplo, enquanto a Ubisoft Quebec trabalha em Syndicate, a unidade da empresa em Annecy, na França, se dedica ao produto que será lançado daqui a três ou quatro anos.
O dilema: ficar preso no ciclo de Phil Connors ou tentar reformular a série? Os próximos capítulos se desenrolarão a partir do dia 23 de outubro, data de lançamento do jogo, acompanhados com um delicioso chá inglês.





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