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Mulher Cientista

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Pesquisadoras brasileiras contam sobre o seu trabalho e os desafios da carreira.

Carolina Benone estuda os mistérios dos buracos negros cabeludos

“Cabeludo” não é só um jeito de dizer que eles são complicados. Entenda por que recebem esse nome e quem é a astrofísica paraense que estuda essa teoria.

Por Bela Lobato
25 dez 2024, 19h00

Carolina Loureiro Benone nasceu em Belém do Pará. A paraense cresceu com a tia, que foi sua primeira referência de uma mulher nas ciências. Desde criança, Benone foi incentivada na escola por um professor de física muito apaixonado por educação.

Hoje, no campus de Salinópolis da Universidade Federal do Pará (UFPA), ela investiga um dos assuntos mais misteriosos do universo: os buracos-negros e a relatividade geral.

Um buraco negro é uma região do espaço onde a gravidade é tão intensa que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar. Ele se forma quando uma estrela muito massiva chega ao fim de sua vida e colapsa sob sua própria gravidade, superando a pressão que antes equilibrava sua massa.

As estrelas mantêm seu equilíbrio graças à força gravitacional que puxa sua massa para dentro e à pressão gerada por reações em seu núcleo, que faz força para fora. Quando o combustível nuclear de uma estrela massiva se esgota, esse equilíbrio é rompido, e a gravidade vence. 

O colapso concentra a massa em um ponto infinitamente denso, chamado de singularidade, cercado por uma superfície limite conhecida como horizonte de eventos. Cruzar o horizonte de eventos significa ser inevitavelmente puxado para a singularidade, sem chance de retorno.

Benone estuda o que acontece ao redor dos buracos negros: a trajetória de partículas e os campos presos ou amplificados pelo buraco negro, por exemplo. É um trabalho teórico e de programação matemática, projetando simulações para soluções de problemas desse tipo.

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A Teoria da Relatividade Geral prevê que buracos negros seriam descritos apenas por sua massa, momento angular e carga elétrica. Esses são os chamados teoremas da calvície. Sim, esse é o nome científico. A ideia é que os buracos negros são “lisos”, tão simples que podem ser descritos com apenas três variáveis.

Mas pode ser que existam buracos negros cabeludos. E são esses que Benone estuda. “Cabeludo” não é só um jeito de dizer que eles são muito complicados (apesar de eles serem). A hipótese sugere que alguns buracos negros podem conter “traços” ou “cabelos”, indicando propriedades adicionais da matéria, registrados de forma sutil no horizonte de eventos. 

Para entender os buracos negros cabeludos, precisamos conhecer a super-radiância, fenômeno em que ondas de partículas ou campos, como ondas de luz ou matéria, são amplificadas ao interagir com o buraco negro em rotação. Teoricamente, em certas condições bem específicas, essas ondas amplificadas poderiam criar estruturas estáveis ao redor do horizonte de eventos, formando os “cabelos” que armazenariam informações sobre a matéria original.

Ainda em teoria, se partículas ou campos presos em uma cavidade ao redor do buraco negro são continuamente amplificados pela super-radiância, poderia ocorrer uma retroalimentação que provoca uma bomba de buraco negro. 

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Estudos sobre buracos negros cabeludos têm implicações profundas na astrofísica e na física teórica, especialmente na busca por unificar a gravidade com a mecânica quântica.

Incentivo à pesquisa

A pesquisa de Carolina rendeu um prêmio na 19ª edição do Para Mulheres na Ciência, iniciativa do Grupo L’Oréal Brasil em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a UNESCO.

 Ela conta que uma parte do prêmio de R$ 50 mil deve ser utilizado para distribuir bolsas de iniciação científica para alunas que já são voluntárias no seu laboratório, assim como comprar materiais para a pesquisa.

 “Essas bolsas são muito importantes para quem está começando, justamente para ter o primeiro contato com a ciência e começar a ter uma base mais sólida na área que tem interesse, para depois buscar um mestrado, doutorado na área.”, conta Carolina.

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Para a pesquisadora, é essencial inspirar meninas e mulheres a estudarem. “Eu gosto muito de estudar e acho que tem outras meninas e mulheres que têm esse interesse e precisam desse incentivo. A gente passa muito tempo duvidando da nossa capacidade, mas a gente tem que dar a cara a tapa porque às vezes dá certo.”

A professora da UFPA é engajada na luta pelo fortalecimento do campus de Salinópolis, criado em 2013, que “precisa de mais professores, mais verba, de tudo”. “Queremos consolidar o campus tanto como um espaço de ensino quanto como um espaço de pesquisa, que seja um atrativo para as pessoas da região e do entorno”, conta.

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Em parceria com a sua irmã, que é bióloga, coordena um projeto de extensão chamado Farol da Ciência. No Facebook e no Instagram, elas falam sobre física, biologia e carreira científica. 

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Outro projeto, Minervas em STEM, é coordenado por Carolina e tocado por alunas de cursos de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). O objetivo do grupo é fortalecer as alunas para a carreira acadêmica, falando de assuntos como representatividade e assédio na universidade.

“Sendo uma mulher nessa área, o desafio que eu enfrentei e que outras mulheres enfrentam, é justamente a questão das pessoas duvidarem das suas capacidades, não reconhecerem que você atingiu aquele lugar. Eu já passei por situações assim tanto com colegas da faculdade quanto com professores.” conta Carolina. “E eu acho que a maneira de enfrentar isso é justamente o que o Grupo Minervas propõe: buscar outras mulheres que têm essa mesma vivência, e buscar esse apoio mútuo, buscar se fortalecer. Essa coletividade é muito importante. Eu tenho muito orgulho desse projeto, porque eu vejo que ele fortalece muito a participação feminina dentro dessa área.”

Apesar de ter tido apoio no começo da trajetória, Carolina chegou a ouvir de outros professores que ela teria que se mudar para o exterior para conseguir trabalhar como cientista. “Eles falavam: ‘no Brasil não existe ciência, tem que sair do país’. Ainda bem que não dei ouvidos.”

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