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Por que a faculdade de odontologia é separada da de medicina?

Tradição, basicamente. Mas a história completa é longa – e confusa.

Por Luiza Monteiro
Atualizado em 21 jan 2020, 13h17 - Publicado em 2 abr 2019, 12h27

Tradição, basicamente. Os primeiros dentistas eram barbeiros – sim, do tipo que cortam barba –, e arrancar dentes era considerado um serviço braçal.

Os dentistas de improviso dessa época – estamos falando do início do século 17, mais ou menos – eram essencialmente trabalhadores informais e não tinham nada a ver com os médicos, que já estavam se tornando profissionais especializados e ganhando cursos universitários próprios (a Escola de Medicina de Harvard, por exemplo, foi fundada em 1782). 

Nessa época, D. Pedro I autorizou o exercício da odontologia enquanto uma profissão específica no Brasil. Mas a mudança ficou no papel, mesmo – na prática, nenhum dos barbeiros tinha dinheiro ou instrução suficientes para cursar uma faculdade de medicina, e não existiam faculdades específicas de odontologia. 

Em 1862 houve a primeira mudança de fato: os dentistas autodidatas passaram a ser submetidos a uma prova oral teórica e outra prática antes de exercer a profissão. As provas eram aplicadas por professores de Medicina, especializados em Anatomia, Cirurgia ou Fisiologia e Higiene. Novamente, os dentistas eram tratados como apêndice da medicina, e não especialistas de fato. 

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Só 1884, no Rio de Janeiro e na Bahia, surgiram os primeiros cursos universitários específicos para a odontologia. A atividade se formalizou e os amadores saíram lentamente de campo. Esses cursos ainda eram tratados como apêndices do curso de medicina: compartilhavam professores, salas de aula e laboratórios. 

Com o tempo, o caráter de ofício se perdeu e os dentistas se tornaram essencialmente médicos especializados na boca (no sentido de que o curso universitário é tão completo e formal quanto). A separação dos cursos, porém, ficou por força do hábito – herança da época dos barbeiros.

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Os próprios dentistas resistem a se tornarem simplesmente médicos – até porque uma faculdade própria permite que eles se dediquem desde cedo às particularidades de sua especialidade, em vez de se enrolar estudando partes do corpo que não tem nada a ver com a boca. 

Para o cirurgião-dentista Marco Manfredini, tesoureiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), uma graduação independente é importante para que os alunos tenham mais experiência prática e saiam preparados para atuar profissionalmente. “Você passa a ter mais horas de dedicação à odontologia. Nos primeiros anos o aluno já faz procedimentos em pacientes”, diz Manfredini.

Fontes: Uma História da Odontologia no Brasil, de Wander Perira; Marco Manfredini, cirurgião-dentista e tesoureiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).

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Pergunta de Beatriz Quesada, São Paulo, SP

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