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Quanto tempo os astronautas na ISS sobreviveriam se a Terra sumisse?

Eles têm suprimentos de sobra para seis meses – mas esse não seria o único (nem o maior) problema.

Por Bruno Vaiano 18 fev 2022, 07h45

Em novembro de 2018, uma falha em um foguete russo Soyuz interrompeu temporariamente o abastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS). Na época, Vladimir Solovyov, responsável pelo lado russo das operações, afirmou que os três astronautas que estavam lá tinham comida, água, combustível e oxigênio suficientes para seis meses em caso de emergência. 

O combustível é importante porque a ISS precisa ligar os foguetes de tempos em tempos para dar um empurrãozinho para cima, que compensa os 2 km de altura anuais perdidos graças ao atrito com a atmosfera da Terra (408 km é alto mais ainda não é vácuo completo). Vale dizer que os astronautas não conseguem fazer isso por conta própria: a ISS não tem um painel que permita pilotá-la. Todos os comandos vêm de equipes na superfície da Terra e são planejados com antecedência.

 

Só em 2013, essa equipe recebeu 67 alertas de impacto potencial com detritos em órbita (em geral, restos de outros satélites artificiais). Ou seja: no caso de um sumiço completo da Terra, seis meses de suprimentos não significam necessariamente seis meses de sobrevivência. A Estação, desgovernada, pode colidir com algo muito antes disso, e os tripulantes não teriam como evitar. Mesmo que eles ligassem os foguetes na marra com uma gambiarra cósmica, calcular a queima para obter a trajetória certa exige contas difíceis de improvisar.  

Para completar, sem a Terra, a ISS perderia também a proteção contra os ventos solares fornecida pelo campo magnético. Esse chuveiro de partículas com carga elétrica, emitido constantemente por nossa estrela, torraria a fiação da Estação em dois tempos, além do potencial para causar problemas de saúde nos astronautas. Uma roleta russa cósmica que provavelmente não chegaria ao sexto mês.

Pergunta de @rafael.sehnem, via Instagram

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