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Vinho em garrafa PET: você tomaria?

Por Mônica Nunes
15 fev 2010, 14h27 • Atualizado em 21 dez 2016, 10h18
  • Para os puristas, amantes de um bom vinho, esta ideia pode parecer um sacrilégio. Afinal, onde já viu engarrafar tão precioso líquido num material tão impuro como o plástico? Além de parecer impossível preservar a qualidade obtida na produção, também parece óbvio que o glamour que naturalmente cerca a bebida se perderia na apresentação de uma embalagem tão banal.

    Pois o enólogo neozelandês, Peter Yealands, garante que não há qualquer problema com esse tipo de engarrafamento e mais: que este é o futuro desse mercado e um caminho sem volta. Radical, não?

    Yealands lançou, recentemente, um Sauvignon Blanc batizado de Full Circle, em garrafas PET, sem qualquer rejeição dos consumidores. E, como argumento imbatível para defender sua ideia, além da praticidade, ele resssalta a leveza das garrafas, que resulta numa economia de 85% em comparação com o vidro. Quer mais? Esta é para os ambientalistas ou preocupados com essas questões: o custo do transporte diminui consideravelmente e as emissões de carbono também: são reduzidas a 54%.

    Neste quesito, o estudo realizado pela “American Association of Wine Economists”, em 2007, aponta que a produção e a distribuição do vinho são responsáveis por 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que corresponde a 6,3 bilhões de toneladas. Não é muito em comparação com o todo, mas toda redução é bem-vinda, certo? Ainda mais num momento pós COP15…

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    Mas nem tudo é perfeito na proposta de Yealands. O prazo de validade das garrafas plásticas é curto: em torno de nove meses. O que exige que a produção de vinhos seja consumida com maior velocidade do que habitualmente, incentivando o consumo e exigindo um controle mais rígido sobre a venda nos supermercados, empórios e lojas especializadas. E se essa forna de engarrafamento fosse adotada por qualquer vindíma – incluindo as mais nobres -, isso alteraria uma das práticas comuns entre apreciadores: a de colecionar preciosidades e de manter suas adegas cheias. Com certeza, o mercado se ressentiria.

    Dados os prós e contras, será que realmente vale a pena optar pela garrafa PET no engarrafamento do vinho? No caso dos vinhos menos nobres, talvez seja uma boa opção. Mas, e aí? Vc encararia? Sacrificaria o glamour que envolve a degustação de um bom vinho por economia e para salvar o planeta?

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