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Ciência, tecnologia e tempestades

editorial

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 fev 2011, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h53
  • Sérgio Gwercman

    Foi na semana do fechamento desta edição que um temporal desabou sobre a região serrana do Rio de Janeiro, destruindo cidades e famílias com a mesma intensidade. No primeiro dia de chuvas, li que os mortos eram algumas dezenas. Logo passaram a duas, três centenas. No momento em que escrevi este texto, 628 pessoas tinham perdido a vida. Durante esse dias, assistir aos telejornais se tornou um suplício: a tragédia ganhava rostos e o sofrimento de cada vítima, que era infinito em si, precisava ser multiplicado pelo número de atingidos.

    É normal nesses momentos que as pessoas pensem mais com o coração do que com a razão. Ainda assim, fiquei impressionado com a quantidade de gente – dos amigos na mesa do bar aos apresentadores de televisão – que acredita ser factível resolver o problema controlando os fenômenos da natureza. É curioso ver pessoas inteligentes defendendo que, com um pouco de engenharia e cimento, somos capazes de dominar as águas, o ar, o Sol. Parece óbvio, mas não custa lembrar: não somos. Um punhado de obras novas não basta para eliminar os efeitos dos temporais.

    Se tudo der certo, as chuvas fortes continuarão caindo durante o verão brasileiro por muito tempo. Problema teremos quando isso parar de acontecer. Precisamos, portanto, aprender a conviver com a natureza. Como mostra a reportagem da página 15, se o Estado abraçasse a ciência e a tecnologia, não evitaria alagamentos, mas poderia salvar muitas vidas. Talvez a maior parte delas, como deixa evidente a comparação com outras regiões igualmente afetadas por dilúvios. Só para ficar em dois exemplos: a meteorologia, que nos meus tempos de menino era motivo de chacota pelo tanto que errava em suas previsões, avançou, ficou muito mais precisa e hoje é capaz de orientar estratégias de governo. Pode emitir alertas antes de chuvas fortes. Na outra ponta, imagens por satélite são capazes de ajudar a fiscalizar a ocupação de áreas de risco. Isso custa dinheiro e exige a formação de profissionais especializados. Mas é o caminho mais inteligente que temos a seguir.

    Um abraço.

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