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Começar a aula mais tarde melhora performance de adolescentes na escola

Não é (só) preguiça: segundo um novo estudo, jovens apresentam mais dificuldade nas atividades acadêmicas quando as aulas começam muito cedo.

Quem convive com adolescentes sabe que uma das principais dificuldades é fazê-los levantar da cama cedo para ir à escola. As reclamações têm fundamento. O sono realmente atrapalha o rendimento escolar quando as aulas começam logo no comecinho do dia. É o que mostra um novo estudo da Academia Americana de Medicina do Sono.

Muitas mudanças biológicas no ciclo circadiano (o famoso relógio biológico) acontecem durante a puberdade. E um dos efeitos é justamente fazer os jovens ficarem acordados até mais tarde – e travarem uma verdadeira luta para cair da cama cedo na manhã seguinte. 

O novo estudo contribui para essa ideia. Em 2017, uma cidade do Colorado, nos Estados Unidos, decidiu mudar o horário de início das aulas. Os alunos do ensino fundamental passaram a entrar 50 minutos mais tarde (de 8h para 8h50), e os do ensino médio ganharam 70 minutos (de 7h10 para 8h20).

Depois de um ano, os estudantes do ensino fundamental afirmaram dormir 31 minutos a mais do que antes, enquanto o sono dos alunos do ensino médio ficou 48 minutos mais longo. Eles também responderam a perguntas sobre cansaço enquanto faziam o dever de casa e como andava o engajamento nas atividades escolares.

A pesquisa, feita com mais de 15 mil alunos, mostra que a sensação de sono durante as tarefas escolares caiu de 46% para 35% no ensino fundamental e de 71% para 56% no ensino médio. Os níveis de engajamento na escola também aumentaram consideravelmente com a mudança.

A Academia Americana de Medicina do Sono indica que as aulas comecem depois das 8h30, como forma de melhorar a saúde, atenção e segurança dos adolescentes. Porém, um levantamento do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) mostrou que apenas 19% das escolas de ensino fundamental e 14% das instituições de ensino médio seguem essa recomendação.

Os adolescentes não devem ser os únicos a ser levados em consideração nessa conta. A professora de pediatria Lisa J. Meltzer, autora da pesquisa, também investigou o impacto dessa mudança em professores e funcionários das escolas. Para esse grupo, o resultado não é tão animador. Apesar de terem mais tempo de sono, apenas 64% dos professores relataram se sentir preparados para dar aula no dia seguinte (antes da alteração de horário eram 80%) e só 55% sentiram que ganharam horas para passar com a família (a taxa anterior era de 66%).

“É importante considerar que a mudança nos horários, apesar de ser crítica para a saúde e o bem-estar dos estudantes, também impacta outros membros da comunidade escolar”, alerta a pesquisadora.

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