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Coração: Você falha, ele não

O coração é capaz de bater durante mais de um século, 90 000 vezes por dia, sem cansar. Ele só pára quando algo o interrompe

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h48 - Publicado em 31 Maio 1998, 22h00

Carlos Dias

Quando você diz que alguém morreu do coração, está cometendo, quase sempre, uma tremenda injustiça. O coração é uma máquina perfeita. Ele bate sem se cansar durante mais de 100 anos, noite e dia, a uma média de 90 000 pulsações a cada 24 horas. Só interrompe sua tarefa quando algo fora do seu controle o impede – uma artéria entupida, a falência dos pulmões, o colapso do organismo devido a uma infecção e assim por diante. Aí, a culpa não é do coração, esse injustiçado. Afinal, não foi ele quem falhou. Há casos, é verdade, de defeitos de fabricação. Mas são poucas as pessoas que já nascem com problemas cardíacos, assim como os portadores de doenças específicas do coração, como a arritmia. Com os devidos cuidados de manutenção, seu coração funcionará enquanto você precisar dele.

Discreto e dedicado, o órgão que está pulsando dentro do seu peito pouco se parece com a figura arredondada que costuma ilustrar os cartões do Dia dos Namorados. Ele lembra mais uma pera e é, na verdade, um músculo. Mede, aproximadamente, 12 cm de altura por 8 cm de largura, o tamanho do seu punho fechado. Pesa, em média, 300 gramas. Seu funcionamento é de uma simplicidade assombrosa. Dividido em quatro câmaras – dois átrios ou aurículas e dois ventrículos – ele faz o mesmo trabalho de uma bomba hidráulica. Ou melhor, de duas. Enquanto uma delas – o lado esquerdo – despacha para o corpo inteiro o sangue novo, com oxigênio e outros nutrientes, a outra – o lado direito – recolhe o sangue já usado, repleto de gás carbônico, e envia-o para os pulmões.

Obra-prima da engenharia natural, o músculo cardíaco foi tido, durante muitos séculos, como a sede das emoções e do pensamento, uma função que, na realidade, compete ao cérebro. Mesmo depois de a Medicina desvendar todos os seus segredos, ele permanece como um símbolo dos sentimentos humanos. Trata-se, afinal, de um órgão que assinala, com a aceleração de suas pulsações, nossos momentos de maior intensidade emocional. Quando você está assustado ou alegre, quando sente raiva ou paixão, o coração se manifesta com seu batimento forte, rápido, incontrolável. Capaz até de fazer você perder o fôlego.

A pulsação cardíaca varia de espécie para espécie. Veja, nestes exemplos, o número médio de batidas por minuto, com o corpo em repouso.

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Homem (bebê) 130

Homem (adulto) 65

Coelho 200

Boi 25

Beija-flor 480

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