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Estudo revela em qual idade as crianças param de acreditar no Papai Noel

Spoiler: Papai Noel não existe. Mas as crianças demoram bem mais tempo, em média, do que se imagina para perceber isso.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 20 dez 2018, 18h26 - Publicado em 20 dez 2018, 18h20

A magia do Natal esconde uma dura verdade. Por trás dos presentes e da decoração natalina, milhões de crianças são enganadas pelos pais à respeito do Papai Noel. É um mentira do bem, de fato. Mas em que momento elas passam a desconfiar do bom velhinho? A revelação produz algum impacto nelas?

Foi sobre essas e outras perguntas que Christopher Boyle, professor associado de psicologia da Universidade de Exeter, no Reino Unido, se debruçou. Em 2016, ele co-escreveu um ensaio sobre o valor de mentir sobre o Papai Noel para a revista Lancet Psychiatry e, desde então, recebe mensagens de pessoas sobre o tema.

O debate a respeito gerou uma nova pesquisa, que vai investigar a relação das crianças com a história do personagem: em que ponto da infância elas começam a duvidar de sua existência, como isso afetou a confiança que elas tinham nos pais e o por quê dos adultos continuarem alimentando a história por tanto tempo.

O estudo definitivo só deve terminar em 2019, mas nesta semana Boyle divulgou dados preliminares sobre o que coletou dos participantes da pesquisa. Foram 1200 entrevistados, de todas as partes do mundo, que precisaram resgatar as suas memórias de infância das festas de fim de ano.

  • 8 anos

    De acordo com os resultados iniciais, Boyle cravou como 8 a idade média em que as crianças param de acreditar no Papai Noel. Mas esse número diz respeito às crianças da Inglaterra. Na Escócia, a média fica em torno de 8 anos e meio, enquanto pesquisas antigas calculam que crianças americanas deixam de acreditar aos 7. (A pesquisa não incluiu nenhum brasileiro.)

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    De acordo com os depoimentos enviados ao pesquisador, é nessa idade que os jovens passam a prestar mais atenção nas conversas dos pais e nas mudanças de rotina da casa. Dentre os entrevistados, rolou de tudo: de encontrar os presentes no quarto dos pais a comparar a caligrafia deles com a das cartas enviadas pelo Papai Noel.

    Confiança abalada?

    Em relação a descoberta da verdade, 56% dos entrevistados disseram que isso não afetou sua confiança nos adultos. Contudo, 33% ficaram chateados com a revelação. 15% se sentiram traídos pelos pais, e 10% sentiram raiva.

    A pesquisa também avaliou o comportamento dos participantes nos dias de hoje, como adultos. 70% dizem que incentivam a mentira, enquanto o restante optou em não colaborar com a lorota. O estudo também descobriu que 31% dos pais mentem para seus filhos caso eles perguntem se o Papai Noel é real.

    Afinal de contas, por que mentir sobre o bom velhinho? Para Boyle e a co-autora do estudo, a pesquisadora de saúde mental Kathy McKay, o motivo pelo qual tantos pais sustentam a mentira pode ser um desejo de reentrar brevemente na infância.

    Segundo eles, da mesma maneira que adultos retornam a universos ficcionais, como Harry Potter e e Star Wars, a história do Papai Noel cria uma realidade alternativa, longe dos problemas do mundo real. Se essa for a razão pela qual as crianças continuam acreditando, talvez essa mentira não seja tão ruim assim.

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