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Fêmeas (de libélula) fingem morrer para evitar assédio de machos

Tudo isso porque não estão acompanhadas de outro macho. Coincidência?

Por Ana Carolina Leonardi Atualizado em 2 Maio 2017, 14h20 - Publicado em 2 Maio 2017, 13h41

O assédio do dia a dia exige atitudes dramáticas – e dessa vez estamos falando do mundo animal. As libélulas da espécie Aeshna juncea se jogam no chão em pleno voo e se fingem de mortas até enganar seus perseguidores. E elas não fogem de predadores, e sim de machos da própria espécie.

Esse comportamento foi observado pela primeira vez por Rassim Khelifa, pesquisador da Universidade de Zurich. Em um estudo nos Alpes suíços, ele viu libélulas voando rapidamente, uma atrás da outra. A primeira, de repente, mergulhou com tudo em direção ao chão. E lá ficou, de barriga para cima. Morte súbita? Não foi o que o cientista concluiu depois de chegar mais perto.

Quando a fêmea se espatifou no chão, o macho ficou por perto alguns minutos. Convencido, foi embora. Segundos depois, a libélula acidentada “voltou à vida” e saiu voando livremente.

O pesquisador ficou curioso, segundo contou à New Scientist, e começou a fazer testes para descobrir se aquela cena podia ser uma atitude deliberada para evitar avanços indesejados dos machos. Em um pequeno estudo, ele notou que 88% das libélulas apresentaram a atitude da “falsa morte”. Em mais de 60% dos casos, a cena deu certo.

O risco de se jogar de uma altura assim é grande. Mas ao contrário de várias espécies de libélula, as Aeshna juncea precisam se defender sozinhas.

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Para se reproduzir, elas se aproximam de lagos, onde os machos ficam esperando. Um único cruzamento fertiliza todos os ovos, que são depositados na água. Esse é o momento mais vulnerável para as fêmeas. Se a concentração de machos for muito grande, elas serão perseguidas logo depois de pôr os ovos. Quando acontece essa cópula forçada, não só a fertilidade é prejudicada, como a vida das libélulas dura menos.

Provavelmente por causa disso é que os machos de outras espécies “parentes” da Aeshna acompanham as fêmeas com quem copularam até fora do enxame de machos. Depois disso, elas só voltam a cruzar na próxima ovulação, por livre e espontânea vontade.

Não é o caso da Aeshna juncea. Os machos não acompanham e as fêmeas não podem dizer “Tenho namorado!” como desculpa. Por isso, a tese de Khelifa é que elas adaptaram o mecanismo de fingir a morte, geralmente reservado à perseguição de outras espécies, para evitar o assédio masculino. No seu estudo, todas as fêmeas que não se fingiram de mortas foram eventualmente alcançadas pelos perseguidores durante a fuga.

Assédio constante a jovens desacompanhadas que exige atitudes dramáticas para se evitado. Alguma outra espécie vem à mente? Ainda não há pesquisa publicada sobre o assunto, mas uma série de fêmeas de Homo sapiens foi observada na região do Twitter pensando em plagiar a estratégia da Aeshna…

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