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Observar adultos em tarefas cotidianas pode estimular o desenvolvimento de bebês, sugere estudo

Uma nova pesquisa brasileira defende que bebês de até três meses de idade podem aprender ao presenciarem simples afazeres domésticos – e sugere algumas atividades para colocar isso em prática.

Por Luisa Costa 8 jul 2021, 19h43

Desde o início da vida, bebês podem desenvolver incríveis habilidades e, a partir da observação e da imitação, são capazes de realizar ações complexas que envolvem diferentes comportamentos motores. É o que defende um recente estudo brasileiro, publicado na revista científica Infant Behavior and Development.

Segundo os autores, bebês com até três meses de idade deveriam ser estimulados a manipular objetos e observar os adultos realizando tarefas cotidianas – mexer na máquina de lavar ou organizar a pilha de roupas no quarto, por exemplo. Isso porque, ao observá-los, os recém-nascidos perceberiam mais facilmente como os movimentos corporais estão ligados com o ambiente ao redor. 

Os cientistas defendem que, ao observar os adultos se movimentando, o aprendizado do bebê sobre sua própria movimentação corporal seria favorecido. Estimular esse aprendizado poderia ajudar no desenvolvimento social, motor e cognitivo dos pequenos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram uma revisão da literatura científica – ou seja, recolhem um punhado de pesquisas anteriores – sobre o assunto. Priscila Ferronato, autora principal do estudo, afirmou em comunicado que a pesquisa encontrou evidências para a ligação entre as ações de imitação e manipulação dos recém-nascidos – e que a interação social entre os bebês e seus cuidadores é fundamental para que eles aprendam a usar seu próprio corpo funcionalmente.

Desde a década de 1970, pesquisas indicam que bebês podem copiar expressões faciais assim que nascem. O novo estudo vai além, e diz que eles poderiam imitar também também ações motoras, como o movimento das mãos.

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  • Atividades recomendadas

    A pesquisa, que teve o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), sugere algumas práticas de estimulação para os bebês, afim de desenvolverem a habilidade de alcançar e segurar objetos. A primeira instrução, claro, é posicioná-los em posturas favoráveis (e seguras) para que eles observem os adultos em suas tarefas diárias.

    Já na parte dos exercícios, um deles consiste em colocar as mãos do bebê em um objeto de superfície lisa e, depois, em um de superfície rugosa. Esse tipo de atividade, em tese, ajudaria o bebê a entender a diferença entre agarrar e segurar.

    Outro exercício que pode ajudar o bebê a aprender a manusear objetos consiste em oferecer um dedo para que ele o agarre com sua pequena mão para, em seguida, sorrir em resposta ao toque. Isso pode reforçar a associação entre o movimento e o estímulo visual.

    Já para estimular o bebê a alcançar objetos, os pesquisadores descrevem a atividade de acender uma lanterna logo acima do peito da criança. Ela vai tentar agarrar o feixe de luz e, assim, exercitará a movimentação e o uso dos braços.

    “Queremos que essas informações sejam disponibilizadas aos profissionais das creches para aplicação prática e também aos pais, porque nessa idade os bebês costumam ficar em casa”, afirma Ferronato. “Muitos pais não têm ideia do que os bebês são capazes de aprender nos primeiros dois ou três meses de vida.”

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