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Por que existem homossexuais?

Os seres vivos existem para se reproduzir, mas um organismo gay, por definição, não quer nem saber disso - a não ser que o faça por tabela...

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 Maio 2008, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h45

Texto Marília Juste

Ao contrário do que os mais preconceituosos pensam, homossexualidade não é doença. E mais, é um comportamento bastante comum na natureza. Em 1999, o pesquisador americano Bruce Bagemihl fez um levantamento amplo e descobriu que nada menos que 450 tipos de mamíferos e aves têm hábitos homossexuais, em maior ou menor grau. Isso vai desde espécies que se exibem para indivíduos do mesmo sexo até aquelas que de fato formam casais homossexuais, chegando até a cuidar de filhotes juntos, passando, é claro, pelas relações sexuais.

Em seu livro, Bagemihl derruba teorias que afirmam que a homossexualidade surge por falta de opção ou porque os animais se confundem. Para ele, os animais homossexuais são assim por um motivo muito simples: porque apreciam o fato de ter parceiros do mesmo sexo que eles.

Outros indícios sugerem, no entanto, que a orientação sexual da pessoa é definida no útero materno. Em mamíferos, o sexo do bebê é definido pelo pai, que traz o cromossomo X ou Y para o filho. No entanto, há um senão aí, como lembra Carlos C. Alberts, da Universidade Esta-dual Paulista (Unesp) de Assis. Entre 4 a 8 semanas depois da fecundação, a mãe grávida libera um hormônio sexual no embrião – hormônio que só vai ter efeitos mesmo durante a adolescência.

É essa substância que, segundo alguns pesquisadores, seria responsável pela orientação sexual da pessoa. Se a combinação entre sexo do embrião e hormônio bater, o indivíduo será heterossexual. Se não, será gay. Por exemplo, um embrião do sexo feminino que receber hormônio feminino vai crescer e passar a ter atração por homens. Se o embrião feminino, no entanto, receber hormônio masculino, as chances de virar homossexual são maiores. É difícil afirmar que esse mecanismo, sozinho, possa controlar toda a complexidade que é o comportamento sexual humano. E, por isso, as bases biológicas da homossexualidade seguem sob debate.

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PELO BEM DO IRMÃO

Se os hormônios da mãe controlam o comportamento sexual do bebê, o que a faz “trocar” e dar hormônios masculinos para um bebê feminino, e vice-versa? Alguns cientistas acreditam que isso ocorre durante situações de grande estresse. “Uma pesquisa revelou que, dentre as pessoas que nasceram durante o cerco de Stalingrado [na atual Rússia, na 2ª Guerra Mundial], até 30% assumiram ser homossexuais na vida adulta”, diz Alberts. Tal dado talvez seja muito importante.

É que, de acordo com a chamada Teoria da Seleção de Parentesco, em épocas de grande crise não vale a pena para o indivíduo gastar energia tentando se reproduzir – é mais fácil ajudar a criar os filhos de irmãos ou primos, que possuem uma porção significativa dos próprios genes dele (veja quadro nesta página). Fazendo a conta, é como se o organismo gay estivesse se reproduzindo da mesma forma, o que talvez explique por que a seleção natural não elimina essa característica aparentemente prejudicial do ponto de vista genético. De fato, em muitas espécies existe a categoria dos helpers, que apenas ajudam a cuidar da prole de seus parentes.

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O problema, claro, é que muitos gays são filhos únicos e têm irmãos que também são gays. O fato é que, apesar da seleção de parentesco, a homossexualidade ainda continua com aura de mistério.

“Por 2 irmãos ou 8 primos” foi a resposta dada pelo biólogo J.B.S. Haldane (1892-1964) sobre que pessoas ele morreria para salvar – porque assim preservaria todos os seus genes.

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