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Quintet, um jogo de pôquer diferente

A idéia está em afastar o fator sorte na distribuição das cartas

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 27 jul 2009, 22h00

Luiz Dal Monte Neto

A esmagadora maioria dos jogos de cartas demanda um tipo de raciocínio diferente do empregado nos jogos de tabuleiro clássicos, como xadrez e damas. O caráter aleatório da distribuição das cartas introduz um fator de indeterminação que deve ser administrado pelo jogador – não se sabe o que o adversário tem nas mãos e, portanto, é preciso se orientar por estratégias de ordem probabilística, tomando decisões de acordo com o que for mais provável. Nem todos gostam desse tipo de incerteza. Conheço ludômanos fanáticos que, apesar de sua paixão, preferem manter uma distância prudente do baralho. Outros, porém, adoram o jogo imponderável das cartas, em que enxergam uma metáfora da própria vida, onde o que importa, no fundo, é fazer o melhor possível com o quinhão de sorte com que a natureza nos brindou – dadas as cartas, só resta fazer o melhor com elas.

Seja como for, vários inventores aplicaram sua criatividade na elaboração de jogos de baralho em que não há fator sorte na distribuição inicial nem segredos posteriores – neles, sabe-se exatamente quais as cartas do oponente, pois são iguais às nossas. Os fiéis leitores destas páginas já conheceram, ao longo dos anos, alguns exemplos desse acervo. Vamos aumentar esse repertório com o quintet, uma criação de Hubert Phillips, um inglês já falecido, que enriqueceu com elegância e precisão o mundo dos jogos e quebra-cabeças. Quintet é jogado com dois baralhos normais dos quais se retiram os curingas e as cartas de 2 a 6 de todos os naipes, restando 32 com cada um. Cada maço fica com um jogador. Um destes, depois de o embaralhar bem, deve descartar as primeiras sete cartas, abertas sobre a mesa. O adversário, então, remove de seu próprio maço os mesmas sete cartas, ficando ambos com maços idênticos de 25 cartas. Os dois jogadores devem formar cinco grupos de cartas com aquelas que têm nas mãos. Cada grupo será avaliado como se fosse um jogo de pôquer. Neste, para quem não sabe, os participantes tentam formar combinações de cinco cartas, que têm a seguinte hierarquia (da menos para a mais valiosa):

 

• nada: cinco cartas sem relação entre si – em caso de empate, isto é, os dois jogadores com nada, vence quem tiver a carta de maior valor;

• um par. duas cartas do mesmo valor, mais três quaisquer – em caso de empate, vence o par maior, ou se forem iguais, a maior carta isolada:

• dois pares: duas duplas de cartas do mesmo valor, mais outra qualquer – o desempate se faz pela comparação dos pares maiores, depois pelos menores e, finalmente, pela carta isolada;

• trinca: três cartas do mesmo valor, mais duas outras quaisquer – o desempate se faz pela trinca maior;

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• seguida: cinco cartas em seqüência, independentemente dos naipes (o valete vale onze, a dama, doze, o rei, treze e o ás, seis ou quatorze, pois pode ser usado antes do 7 ou depois do rei); o desempate se faz a favor da seguida que tiver a maior carta;

• full: três cartas de um valor, mais duas de outro; o desempate é a favor de quem tiver a maior trinca;

• flush: quaisquer cinco cartas do mesmo naipe, sem seqüência; o desempate se faz pela maior carta, ou, se for necessário, pela segunda, e assim por diante até a quinta;

• quadra: quatro cartas do mesmo valor, mais uma diferente; um eventual empate é decidido a favor da quadra com cartas de maior valor;

• straight flush: cinco cartas do mesmo naipe, formando uma seqüência; o desempate se faz como na seguida. Várias das regras de desempate acima não são adotadas no pôquer, mas são úteis no quintet.

 

Após terem formado os cinco grupos, os jogadores colocam-nos com a face para baixo sobre a mesa, alinhados na ordem que acharem melhor. Em seguida, revelam simultaneamente os primeiros. A combinação melhor ganha 3 pontos. Depois revelam os segundos grupos – o melhor ganha 4 pontos.

E assim sucessivamente para os terceiros (valendo 5 pontos), para os quartos (6 pontos) e para os quintos (7 pontos). Quando persistir empate, dividem-se os pontos por dois. Será vencedor quem obtiver o maior total, depois de revelados todos os grupos. Para tornar o jogo mais difícil, pode-se permitir que o jogador escolha a ordem de revelação dos seus grupos remanescentes durante a partida, o que lhe permite alterá-la em razão das jogadas prévias do adversário.

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