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Recorde: dino de 35 toneladas deixou 155 m de pegadas na França

Detalhe: cada pegada da trilha mais longa da história da paleontologia tem 1 metro de diâmetro. Sim, 1 metro. Haja pata

Você está caminhando distraído em um dos idílicos sopés de montanha do vilarejo de Plagne, na França. Lindo. Até que você tropeça e cai em um buraco de um metro de diâmetro.

Surpreendente? Você ainda não viu nada. O buraco que acabou com as suas férias, na verdade, não é um buraco: é uma das maiores pegadas da história da paleontologia, deixada pela pata de um dinossauro saurópode de 35 toneladas há 150 milhões de anos.

Floreios à parte (ninguém tropeçou, ainda bem), foi quase isso que ocorreu em 2009 com dois membros de uma sociedade de naturalistas sediada na comuna de Oyonnax, na França. Ao se depararem com a pata tamanho GG, eles ligaram para especialistas da Universidade de Lyon, que começaram a explorar o sítio.

Seis anos de observação depois, em 2015, ficou estabelecido que o autor do buraco atendia pelo nome de Brontopodus plagnensis, um pescoçudo herbívoro de 35 metros – sete a mais que um ônibus biarticulado, como este aqui. Foi preciso criar uma nova espécie para encaixá-lo, já que seu tamanho e suas patas não batiam com nenhuma das classificações conhecidas até então.

Só isso já bastaria para fazer história na paleontologia. Mas as descobertas não pararam por aí. Com o passar dos anos, os pesquisadores de Lyon encontraram outra pegada. E mais outra. E mais outra. No final das contas, o rastro deixado pelo B. plagnensis se estendia por 155 metros. Um recorde: a trilha de pegadas de dinossauro mais longa já encontrada. O registro ainda não chegou no Guinness, mas já há um artigo científico publicado a respeito.

Além do diâmetro da pata em si, que varia entre 0,94 cm e 1,03 m, cada pisada do animal espalhava um anel de lama de três metros em torno de si. Os pesquisadores já suspeitavam da existência dessa trilha desde a descoberta do primeiro buraco, há oito anos, mas só agora o resultado foi oficializado. “Essas são distâncias muito longas”, afirmou à imprensa, à época, Pierre Hantzpergue, um dos pesquisadores envolvidos. “Nós já vimos trilhas de 50 metros na França, de 100 metros na Suíça e até o recorde mundial, em Portugal, com 150 metros. Ainda há muitos hectares para explorar, mas Plagne sem dúvida passará dos 150 metros.” E passou mesmo.

Com base em seu peso e tamanho, é possível calcular a velocidade média do dino: 4 km/h. Ainda bem que ele não tinha motivo para correr: os saurópodes foram os gigantes gentis da pré-história. Se alimentavam de folhas e gostavam de ficar na água. Evidências geológicas apontam que, no final do período Jurássico, a região da França mais próxima dos Alpes era coberta por águas rasas, pontuadas por pequenas ilhas. O ambiente perfeito para os gigantes se molharem, comerem uma árvore ou duas e pularem na água de novo. Vida boa.