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Hesitar enquanto fala faz você parecer mais inteligente

Ficou nervoso no meio de um discurso? Um estudo descobriu que dá para usar esses “brancos” para parecer esperto.

Por Ana Carolina Leonardi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 out 2019, 18h15 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h08
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Você se preparou dias a fio – para uma reunião importante, um pedido de aumento, um discurso em público. Escolheu com cuidado as palavras, imaginou todos os cenários possíveis… E, bem na hora, deu branco. Em vez de transmitir toda a fluência e preparo na fala, você parece um boneco de posto que não sabe como foi parar ali, com um microfone na mão. E aí… ferrou?

Não necessariamente. Um novo estudo da Universidade de Salzburg, na Áustria, parece sugerir que, do jeito certo, a hesitação pode te fazer parecer mais inteligente.

Para começar, precisamos lembrar que o que você sente quando fala é geralmente muito diferente daquilo que o público percebe quando escuta. 

Mas poucas pesquisas se dedicam a entender como é que a audiência vai interpretar o traquejo (ou a falta de traquejo) do “orador” da vez. Para fazer justamente essa investigação, o autor do estudo austríaco usou dois tipos de amostra de áudio: em uma, o orador falava praticamente sem pausas – aquela fluidez total que é típica de locutores de rádio (ou políticos bem assessorados).

No segundo grupo, os discursos vinham repletos de pausas, com intervalos de mais ou menos 300 milisegundos. De acordo com o pesquisador, uma pausa menor que essa nem chega a ser percebida como anormal pelo público. Mas, a partir de 300 ms, já fica claro que o narrador precisou de um intervalo para pensar antes de continuar a frase.

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Os dois tipos de amostra foram ouvidos 653 vezes e, em seguida, os voluntários contavam o que tinham achado de cada orador.

As vantagens de ser hesitante

Foi aí que os resultados surpreenderam: as pessoas que davam maiores pausas foram classificadas como mais articuladas e percebidas como mais cultas que aquelas que falavam sem intervalos – mesmo quando o conteúdo do discurso era exatamente o mesmo.

As pausas até poderiam nascer do nervosismo do orador, mas para o público a impressão era outra: de que a pessoa estava sendo cuidadosa ao máximo com o que falaria em seguir, e isso, por consequência, passava a impressão de inteligência.

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Se sua maior preocupação é que o público goste de você, temos outra boa notícia: as pausas não devem ser um problema. No estudo, elas não faziam a menor diferença. Pessoas que falavam pausado ou fluentemente foram consideradas igualmente amigáveis e espontâneas.

Mas nem tudo é vantagem: hesitar durante o discurso pode, sim, fazer você parecer menos certo do que está falando. Além disso, no estudo, as falas com pausas foram consideradas menos confiantes, e transmitiam menos autoridade.

Tudo depende, portanto, do conteúdo do discurso que você precisa transmitir. No caso de um técnico tentando animar um time no vestiário, parecer inteligente é bem menos importante do que soar assertivo e confiante.

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O estudo ainda tem uma limitação muito importante: só analisou pausas silenciosas no meio das frases. Sem “hmmm”, “éé…”, “né”, e as tantas outras coisas que falamos para tentar preencher o silêncio.

O problema é que outras pesquisas investigaram justamente esses “sons de preenchimento” – e concluíram que eles prejudicam bastante a credibilidade do orador.

Os participantes nesses estudos avaliaram palestrantes cheios de “hm”s como menos verdadeiros e até menos competentes. 

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Pior: essas palavrinhas geravam uma expectativa de que a frase seguinte seria altamente complexa, já que o narrador esgasgou. 

Se o “éé” não vier antes de uma tese de física quântica, portanto, tudo que o público vai entender é que você não está suficientemente preparado. Na dúvida, enjoy the silence.

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