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Como funciona a iniciação no candomblé?

Processo é cheio de regras, como só poder usar roupas brancas, sentar sempre no chão e comer apenas com as mãos - inclusive no trabalho e por até três meses

Por Joyce Silva Atualizado em 29 dez 2021, 09h34 - Publicado em 23 Maio 2018, 17h57

Ingressar no candomblé é tarefa que requer paciência, determinação e zero mimimi. Para se tornar filho de uma casa, o caminho é longo e cheio de desafios. Uma prova de resistência, na qual estão incluídas muitas limitações, grandes doses de esforço e o acesso a ensinamentos secretos, numa trajetória que se estende por meses, podendo chegar a um ano. De um modo geral, as pessoas não pedem para ingressar no candomblé: são convocadas. Em alguns casos, a mãe de santo, ao jogar búzios, recebe a mensagem de que aquele indivíduo precisa participar da religião. Porém o jeito mais comum desse recado ser dado é quando o cidadão “bola no santo”. Ou seja: o fiel simplesmente apaga durante uma festa ou um ritual religioso. Durante o período em que está desacordado, seu corpo se movimenta de acordo com os trejeitos de um determinado orixá. Chega a apontar para símbolos e imagens dispostos no terreiro. Quando acorda, a pessoa é informada de que recebeu uma intimação: precisa começar a se preparar para a iniciação.

Muitas etapas

A partir do momento em que bolou no santo, o fiel é considerado um abiã – termo dado aos iniciantes na religião. Para chegar a iaô, o filho de santo precisa, logo de cara, usar um colar de contas muito curto, que fica agarrado ao pescoço e é conhecido como quelê. Enquanto esse adereço não for retirado, o novato só poderá vestir roupas brancas, sentar no chão (nunca em cadeiras ou sofás) e comer com as mãos. Isso em qualquer lugar, no terreiro, em casa ou no refeitório do trabalho. Geralmente, a cerimônia da “caída de quelê” acontece três meses depois que termina todo o ritual de iniciação. E só então a rotina volta ao normal.

Colocado o quelê, começa um processo de três estágios. A etapa número 1 consiste em dar o bori: sentado no chão, o abiã é banhado pelo sangue de animais sacrificados na sua frente, geralmente aves. Terminado esse ritual, começa a preparação para o próximo passo, conhecido como orô. O candidato à iniciação é mantido confinado em um quarto por 21 dias. Ele (ou ela) tem a cabeça raspada e recebe marcas no braço ou na cabeça, geralmente feitas com espinhas de peixe. Essas cicatrizes simbolizam a porta de entrada do orixá durante a incorporação. A liturgia termina com um novo banho de sangue, agora de um animal de quatro patas, geralmente bode, carneiro ou cabra, sacrificados para o orixá em questão – o sangue é lançado sobre o filho. Por fim, depois desse período de recolhimento, o iaô é apresentado para a comunidade. É um ritual longo, que dura até dois dias ininterruptos, com várias aparições do novo filho de santo.

E na umbanda?

Na umbanda, o ritual de iniciação é bem mais simples. Por esse motivo, os seguidores do candomblé costumam criticar os umbandistas. Dizem que o ritual de iniciação deles não tem o mesmo valor. Tornar-se filho de santo da umbanda é, de fato, mais simples. Em geral, o frequentador de uma casa sente que está perdendo a consciência e abandona o lugar da plateia para participar do ritual. Depois de algumas sessões, começa a sentir que os guias espirituais que o acompanham estão próximos de incorporar. Cada casa conduz esse processo de maneiras diferentes, mas é à medida que recebe o guia, sessão após sessão, que cada pessoa vai aprendendo os rituais da umbanda. Para quem não é médium, o contato com a umbanda também costuma ser gradual. Quando percebe, a pessoa está assumindo novas obrigações com o terreiro.

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