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DRACARYS: Um minidicionário dos termos de Game of Thrones

Escolhemos os termos que mais confundem os fãs para te ajudar a não perder nenhum detalhe no encerramento da série.

Game of Thrones deu origem a uma série de idiomas fictícios, que foram desenvolvidos de cabo a rabo só para a série. Isso sem falar nas frases misteriosas e marcantes, que sempre dão um jeito de reaparecer dezenas de episódios depois. Reunimos aqui alguns dos mais comuns – e explicamos não só os que eles querem dizer, literalmente, mas o que significam dentro da série.


Tem algum termo ou expressão que você já ouviu em Westeros, mas não sabe exatamente o significado? Comente nesta matéria, nas nossas redes ou no email superleitor@abril.com.br . Vamos continuar completando o glossário mesmo depois que GoT terminar! 😉


Dracarys

Tradução direta: Fogo

Origem: A palavra, repetida milhares de vezes pela rainha dos dragões, pertence justamente a língua-mãe da terra que deu origem à dinastia Targaryen: Valíria

O Alto Valiriano é o idioma que Daenerys mais usa em suas passagens por Essos e, aparentemente, até os dragões entendem um pouco da língua. Pelo menos tanto quanto o seu cachorro entende os seus comandos. Toda vez que ouvimos um “dracarys”, já sabemos que a coisa vai ficar feia. Essa é a palavra que Daenerys usa para mandar Drogon cuspir fogo.

A família Targaryen não nasce em Westeros, como as demais famílias nobres do continente. Eles migraram de Valíria, na parte sul de Essos. 

são uma família que vem de um antigo império chamado Valíria. Ele ficava localizado em Essos. Lá, várias famílias eram donas de dragões, e os Targaryen eram só uma delas – uma família bem pequena, aliás.

Você já deve ter percebido que Valíria é uma região pouquíssimo mencionada na série – justamente porque ela não existe mais. A cidade foi destruída em um evento chamado Perdição de Valíria, um conjunto de várias erupções vulcânicas, e acabou matando todo mundo que estava por lá. Por sorte, a filha de um dos senhores Targaryen sonhou com a destruição anos antes de ela acontecer.

A família fugiu para Pedra do Dragão, em Westeros, e se safou da Perdição. É por isso que vemos Daenerys viva na série. Apesar do império ter sido destruído, o Alto Valiriano ainda é muito conhecido em Essos – e a região da Baía dos Escravos, conquistada por Daenerys, usa versões adaptadas do idioma até hoje.

Khaleesi

Tradução direta: Rainha

Origem: Existe um motivo para khaleesi ser um dos muitos títulos de Daenerys. Além de ser rainha dos dragões e dos Sete Reinos, ela também foi rainha dos Dothraki. Apesar de não ser dothraki de nascença, ela se considera membro do povo de cavaleiros de coração. A personagem foi casada com Khal Drogo na primeira temporada, e acabou se tornando comandante de seu khalasar depois que ele morreu – o que é bastante incomum para uma viúva dothraki.

Na mesma linha do termo “khaleesi”, khal significa “rei” ou “comandante” — ou seja, Khal Drogo não é um nome composto, e sim um título para Drogo. Ele liderava seu khalasar, que significa “clã” ou “tribo”.

Quanto mais poderoso e temido é o khal, maior é o seu khalasar. Daenerys conquistou a confiança de vários khalasares e conseguiu levá-los a Westeros para lutar ao seu lado — justamente o que um exército faria por sua rainha (no caso deles, sua khaleesi).

Unsullied

Tradução direta: os Imaculados

Origem: Não é a toa que o Verme Cinzento entrou rapidamente na onda de Daenerys quando ela deu seguimento a um verdadeiro genocídio no penúltimo episódio. A criação dele certamente teve um papel importante para torná-lo um guerreiro sem qualquer misericórdia.

Os Unsullied são treinados a partir dos 5 anos de idade – mas alguns são escolhidos (ou vendidos pelas próprias famílias) assim que nascem. Os treinos são exaustivos: eles começam quando o Sol nasce e só terminam quando ele se põe.

Os mestres dos Unsullied são deliberadamente cruéis, e só 1 a cada 4 garotos (ou 1 em 3, segundo o livro) sobrevive até a idade adulta. A tortura visa tornar os rapazes absolutamente disciplinados, e incapazes de demonstrar covardia. Eles não reagem à dor, não sucumbem ao medo e nem à raiva. São máquinas de matar.

Os livros explicam que, durante o início do treinamento, cada criança aspirante a Unsullied recebe um filhote de cachorro, do qual precisa cuidar. No final do primeiro ano, o soldado mirim precisa estrangular o seu filhote. Se ele se recusar, é assassinado instantaneamente.

Quando um Imaculado está preparado para lutar, recebe o capacete pontudo característico da série. E aí passa pelo teste final: precisa ir até um mercado de escravos, encontrar um bebê e assassiná-lo na frente da mãe da criança. Depois, o aspirante deve pagar o dono pela perda da “mercadoria”. Concluída a prova final (que, geralmente, é mais fácil para eles do que a do cachorro), ele é oficialmente declarado um soldado “formado”.

Sabemos pelo Verme Cinzento, também, que eles são castrados antes da puberdade, para evitar distrações sexuais – e que, para que um soldado não tenha nenhuma outra lealdade que não seja ao seu líder… Alguns deles recebem ordens de matar a própria família como parte do treinamento. Depois disso, massacrar mulheres e crianças que eles não conhecem é bolinho.

Valonqar

Tradução direta: Irmão mais novo

Origem: Essa é outra palavra que vem do Alto Valiriano. Ela não é mencionada na série, mas possui uma grande importância nos livros — principalmente para os irmãos Lannister.

O termo é ouvido pela primeira vez por Cersei durante uma profecia. Quando criança, a personagem visita a vidente Maggy, a Rã. A feiticeira diz que a menina irá morrer enforcada pelas mãos do Valonqar.

Cersei descobre que a palavra significa “irmão mais novo” em Alto Valiriano e passa a vida inteira acreditando que seu irmão mais novo, Tyrion, seria responsável por sua morte. Por isso, trata ele mal desde pequeno.

Acontece que Jamie também era um candidato elegível para o cargo. Apesar de serem gêmeos, Cersei saiu da barriga da mãe primeiro, tornando-o mais novo do que dela. Por não ser uma constatação tão óbvia, Cersei nunca considerou essa possibilidade. Muitos fãs acreditavam que Jamie seria o responsável direto pela morte de Cersei. Ele sempre foi apaixonado e submisso a ela, o que tornaria a profecia ainda mais interessante para a história.

Não foi isso que aconteceu no quinto episódio da oitava temporada. Muitos fãs ficaram decepcionados com a morte dos dois. No final, Jamie acaba voltando às raízes e sucumbe ao amor pela irmã. Os gêmeos acabam morrendo abraçados.

Wargs

Tradução direta: Um tipo de troca-peles.

Origem: Esse é um termo clássico da literatura de fantasia: Tolkien pegou a palavra emprestada da mitologia nórdica. No idioma nórdico arcaico, vargr quer dizer, simplesmente, lobo. Já nos mitos, a palavra geralmente designa algum demônio em forma de lobo – o principal deles se chama Fenrir, filho do deus Loki. Foi com base nisso que Tolkien chamou de wargs (tradução do inglês arcaico para vargr) os lobos selvagens assustadores da Terra Média.

Um fã declarado de Tolkien, George R. R. Martin usa warg como um conceito totalmente diferente. Nas Crônicas de Gelo e Fogo, há, pelo menos, três tipos de figuras místicas com poderes sobre a natureza: os wargs, os troca-peles (skinchangers) e os Videntes Verdes (greenseers).

Troca-peles, em geral, conseguem tomar posse da mente de outros animais e controlá-las. Se você é um troca-peles capaz de controlar a mente de um lobo… Daí, sim, temos um warg.

Na série, troca-peles e warg são usados como termos intercambiáveis – então quem “incorpora” outro bicho que não um lobo também é chamado de warg. A palavra até virou verbo: wargar significa tomar conta da mente de outro ser vivo.

Um Vidente Verde, é claro, tem poderes bem mais amplos do que um mero warg: se conecta com a natureza para enxergar e intervir no passado, presente e futuro.

Bran Stark é um Vidente Verde (o mais poderoso deles, por isso nomeado Corvo de Três-Olhos), além de um grande troca-peles e, claro, um warg, já que ele tomava conta da mente de seu lobo gigante Summer.

Os livros deixam claro que todos esses poderes têm uma origem em comum. Em A Dança dos Dragões, quinto volume da série, o antigo Corvo de Três-Olhos diz a Bran Stark: “Só um a cada mil homens nasce como troca-peles. E apenas um a cada mil troca-peles se torna um Vidente Verde.”

Wights

Tradução direta: Criaturas

Origem: Nas Crônicas de Gelo e Fogo, os seres místicos que vivem ao Norte da Muralha nunca são chamados por nomes específicos. São sempre apelidos ao estilos “Aquele-que-não-deve-ser-nomeado”. O White Walkers, por exemplo, são Os Outros.

Já os mortos que voltam à vida são chamados de wights, ou criaturas. São os zumbis de Game of Thrones – mas é preciso deixar muito claro: eles NÃO SÃO White Walkers.

White Walkers são criados pelo Rei da Noite, que foi o primeiro deles. Ele era um ser humano como outro qualquer, até ser esfaqueado no coração pelas Crianças da Floresta – uma espécie mágica que vivia em Westeros – com uma lâmina de vidro de dragão.

A partir daí, com apenas um toque, ele é capaz de transformar outros seres humanos em White Walkers. As regras não são claras, mas a série já mostrou bebês do sexo masculino sendo enviados como oferenda ao Rei da Noite – que, a partir daí, convertia os nenês em comparsas invernais.

White Walkers, por definição, estão vivos. Wights, ou criaturas, estão sempre mortas. Elas são revividas por White Walkers mas, ao contrário dos seus criadores, não são capazes de nenhum tipo de raciocínio ou destreza. Seus corpos estão em clara decomposição. Eles só seguem ordens e não hesitam em encarar missões suicidas (nesse ponto, são meio parecidos… Com os Unsullied). Com a exceção da completa falta de coordenação motora, típica de um zumbi clássico.


Frases

Valar Morghulis e Valar Dohaerlis

Tradução direta: Todos os homens devem morrer. Todos os homens devem servir.

Origem: As frases também vem do Alto Valiriano. Elas aparecem pela primeira vez na série em um diálogo entre Arya Stark e Jaqen H’ghar, na segunda temporada. O homem convida a menina para segui-lo até a cidade-livre de Braavos, onde ele ensinaria a ela os segredos dos Homens Sem Rosto.

O diálogo valiriano é uma saudação comum para os fãs, e aparece diversas vezes após esse momento – na boca de personagens como Melisandre e Daario Naharis, por exemplo.

Essa troca de palavras, que funciona como uma saudação, despedida ou mantra, reforça algumas crenças do povo de Essos (onde ela mais aparece): por lá, alguns acreditam que a morte é, na verdade, algo positivo, e representa o fim de uma vida árdua de servidão – por isso, todos os homens devem morrer… Mas antes, todos devem servir.

Quem segue fielmente essa filosofia são os adoradores do Deus de Muitas Faces, que é o representante da Morte. É em Braavos, inclusive, onde fica a Casa do Preto e Branco, templo dedicado a essa divindade. Braavos é uma das poucas cidades a abraçar a própria morte como divindade e uma “força da natureza”. Mais ou menos como Thanos em Avengers, eles veem a morte (e até alguns assassinatos) como forma de “equilibrar” o universo. Por outro lado, também aceitam pagamentos, ou doações ao Deus da Morte, em troca de abater alvos específicos. Não é uma das religiões, digamos, mais puras.

“What is dead may never die”

Tradução direta: “O que está morto não pode morrer”

Origem: A frase completa é um pouco maior: “What is dead may never die, but it raises again, harder and stronger” (“O que já está morto não pode morrer, mas ressurge, mais forte e mais resistente”).

Esse é um dos lemas do povo das Ilhas de Ferro, lar da família Greyjoy. O povo, autonomeado Iron Born (nascidos do Ferro) tem uma fé totalmente diferente da que é praticada no continente. Cercados de mar e exímios navegadores, eles cultuam o Deus Afogado (Drowned God).

Quando os Ândalos chegaram ao continente de Westeros, séculos antes da história mostrada em Game of Thrones, eles “catequizaram” quem vivia ali com a Fé dos Sete. Só dois povos não aceitaram a nova religião: as famílias do Norte, que acreditava nos chamados Deuses Antigos… E os habitantes as Ilhas de Ferro.

Por lá, a frase misteriosa nasceu durante o batismo das pessoas, feito em nome do Deus Afogado.

O ritual funciona assim: elas são colocadas debaixo d’água, e são forçadas a ficarem lá embaixo, até perderem todo o ar. A ideia é afogar, de fato, cada um dos batizados. Quando eles voltam à superfície, precisam ser “ressuscitados”, e cospem para fora toda a água que engoliram.

Com esse ritual, um pouco da essência do Deus Afogado (o próprio mar) entra na pessoa – o que, segundo a fé das Ilhas de Ferro, faz com que ela retorne com mais força.

Além disso, eles acreditam que, como as pessoas que passaram por isso já “morreram”… Elas não podem morrer de novo. O que está morto não pode morrer.

Mas e se o ritual der errado, e quem for afogado simplesmente morrer de verdade? Bom, nesse caso, era o destino do pobre indivíduo perder a vida e se juntar com o Deus Afogado. Esse destino é considerado, ao mesmo tempo, humilhante… E uma benção.

O mais interessante desta religião é que ela justifica todo o comportamento, digamos, bruto dos habitantes de lá. Os Homens de Ferro são conhecidos por serem ótimos navegantes, mas também por serem saqueadores, violentos e desleixados – e tudo isso está de acordo com a filosofia da divindade que eles seguem.

Power resides where men believe it resides

Tradução direta: “O poder reside onde o homem acredita que ele reside”

Origem: O autor desta frase, na série, é Lorde Varys, em um diálogo com Tyrion durante a segunda temporada. Na vida real, a autoria é do próprio escritor da saga, George R.R. Martin. Ele escreveu a frase em A Fúria dos Reis, segundo livro da saga que inspirou a série.

A versão completa dela fica assim: “O poder reside onde o homem acredita onde ele reside. [O poder] é um truque, uma sombra na parede. E, às vezes, um homem pequeno pode projetar uma sombra bem comprida”. A frase, repetida diversas vezes na última temporada, sintetiza um dos assuntos mais abordados na série: o jogo pelo poder. Ela deixa claro que o direito inato ao poder, e todas reivindicações de “direito ao trono” são, no fundo, uma ilusão. Varys e sua frase destacam que influência, dinheiro e medo são elementos primordiais para quem busca ascensão – e que isso acaba sendo muito mais importante do que as forças individuais de alguém. Se uma pessoa consegue convencer os outros de que ela é fonte de poder e autoridade… Ela se torna essa fonte de poder e autoridade, independente de quem seja.