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Os lobos pré-históricos (aqueles de Game of Thrones) eram bem diferentes dos atuais

Análise de DNA mostrou que as duas espécies se separaram há 5,7 milhões de anos. A distinção era tanta que eles mal podiam cruzar e gerar descendentes.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 14 jan 2021, 17h23 - Publicado em 14 jan 2021, 15h55

Quem assistiu a Game of Thrones vai se lembrar: no começo da primeira temporada, cada filho de Ned Stark (Sean Bean) ganhou um lobo gigante. O animal, presente no brasão da família, era inteligente, e servia tanto como bicho de estimação quanto como protetor.

A inspiração para as criaturas de série veio dos lobos pré-históricos, também conhecidos como lobos-terríveis (o nome da espécie, Canis dirus, inclusive, quer dizer “cão assustador”). Esses animais viveram na América do Norte há milhões de anos e, 13 mil anos atrás, foram extintos. Carnívoros, eles alimentavam-se de grandes mamíferos, como o bisão.

À primeira vista, os lobos pré-históricos pareciam ser apenas uma versão mais robusta dos lobos atuais (eles eram, em média, 20% maiores). Os esqueletos e os dentes, inclusive, eram muito similares. Por isso, a ciência considerou, por décadas, que os dois animais eram parentes próximos. Mas não é bem assim.

Um estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira (13) analisou, pela primeira vez, o DNA de fósseis de lobos pré-históricos e constatou que, na verdade, eles eram bastante diferentes dos lobos de hoje. Os cientistas observaram que, na linhagem evolutiva, as duas espécies se separam há cerca de 5,7 milhões de anos. Eles eram tão geneticamente distintos que, provavelmente, não eram capazes de cruzar e gerar descendentes.

  • A pesquisa reuniu 49 cientistas de nove países. Juntos, eles sequenciaram o genoma de cinco fósseis de lobos pré-históricos que datam de 13 mil a 50 mil anos atrás. Os vestígios vieram dos atuais estados de Wyoming, Idaho, Ohio e Tennessee, nos Estados Unidos, e foram comparados a genomas de outros canídeos (a família dos cães, lobos, coiotes e raposas).

    Pela análise, os pesquisadores observaram que o lobo-terrível, na verdade, era a última espécie de uma linhagem que, agora, está extinta. Isso os coloca em um gênero totalmente diferente. E ao contrário de outros canídeos, que provavelmente migraram entre América do Norte, Ásia e Europa ao longo do tempo, os lobos pré-históricos permaneceram apenas na América do Norte.

    “Nossos resultados genéticos mostram que estas duas espécies de lobos estão mais para primos distantes, como humanos e chimpanzés”, disse em comunicado a Dra. Angela Perri, do Departamento de Arqueologia da Universidade Durham e que liderou o estudo.

    Os lobos-terríveis tinham pelos curtos (provavelmente avermelhados), orelhas grandes e, ao que tudo indica, evoluíram para viver ambientes quentes. Isso explica, em parte, a sua extinção, já que eles não conseguiram se adaptar às mudanças provocadas pelo resfriamento da Terra na época.

    Como a descrição acima mostra, os lobos de Game of Thrones não são lá tão parecidos com os lobos-terríveis, uma vez que os animais da série eram peludos, viviam em ambientes frios (o norte de Westeros) e, quando adultos, quase chegavam ao tamanho de um cavalo. Sem chance: para ver um bicho assim, só mesmo ligando a TV.

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