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Livro da semana: “Freud sem traumas”, de Alexandre Carvalho

O jornalista Alexandre Carvalho destrincha as principais teorias do austríaco barbudo – e mostra, de maneira descomplicada, como ele revolucionou os estudos da psique.

Por Rafael Battaglia
Atualizado em 3 dez 2021, 13h04 - Publicado em 3 dez 2021, 12h41

Freud sem traumas: Para você entender, de uma vez, as teorias que desvendaram a mente humana e mudaram o mundo – e as nossas vidas | Clique aqui para comprar

É bem provável que você já tenha se deparado com algumas das ideias criadas ou estruturadas pelo austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Conceitos como complexo de Édipo, id, ego e superego – além da duplinha consciente/inconsciente – não raro aparecem em filmes, séries de TV e conversas de mesa de bar. O problema é que, pela densidade da obra original, essas teorias podem virar um telefone sem fio nas mãos de desavisados: confusas e mal interpretadas. 

Para aqueles que desejam finalmente entender o que diabos “Freud explica”, o livro Freud sem traumas pode ser um bom caminho. Lançado recentemente pela editora Leya, a obra mostra como o austríaco revolucionou o estudo da psique e explora a coexistência, um século depois, entre a neurociência moderna e a psicanálise.

O autor de Freud sem traumas é o jornalista Alexandre Carvalho, colaborador de longa data da Super (você pode ler alguns de seus textos aqui, aqui e aqui). Sem jargões complicados, os capítulos estão divididos por temas (“Inconsciente”, “Ato falho”, “Sexualidade”) e há diversos exemplos e referências da cultura pop que facilitam a compreensão. Vamos combinar: tem jeito melhor de aprender sobre interpretação dos sonhos do que com uma história dos Beatles?

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Freud era um barbudo que fumava vinte charutos por dia, foi usuário de cocaína e, apesar de conservador em muitos aspectos, tinha visões extremamente liberais em relação à sexualidade. Mas, afinal, por que é importante aprender sobre suas ideias? Por que elas continuam relevantes, mesmo depois de tantas décadas?

Freud não é o criador de muitos dos conceitos pelos quais ficou famoso. A noção de inconsciência, por exemplo, é discutida desde a Grécia Antiga; egípcios e assírios foram os primeiros a registrar por escrito tentativas de interpretação de sonhos. Mesmo a “cura pela fala” (método no qual o paciente exterioriza os seus problemas com o terapeuta como forma de tratá-los, um dos pilares da psicanálise), atribuída a Freud e seu divã, começou com outro austríaco: Josef Breuer (1842-1925).

O pulo do gato de Freud foi inverter a hierarquia dos nossos processos mentais. Ele foi o primeiro a dizer que quem nos controla é, na verdade, o inconsciente, lar de desejos, impulsos e pensamentos inacessíveis, mas que ditam boa parte de nossas ações, da maneira como nos comportamos no trabalho e em relacionamentos a uma simples escolha de vinho no mercado. 

Pelas teorias revolucionárias, Freud foi taxado de charlatão. Muitos não acreditavam em suas pesquisas – e certas ideias, como as que envolvem a sexualidade das crianças, chocaram (e ainda chocam) muita gente. Não à toa, o austríaco foi fortemente desacreditado por décadas. Nos anos 1970, por exemplo, filósofos como Karl Popper diziam que a psicanálise era pseudociência.

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Nos últimos anos, contudo, isso caiu por terra. Hoje, a neurociência estima que 5% dos nossos processos cognitivos passam por algum tipo de controle racional. O resto é dominado pelo inconsciente. É a parte submersa do iceberg como o barbudo havia proposto. 

Antes de Freud, os transtornos mentais eram atribuídos ao excesso de sangue no cérebro – e recebiam tratamentos quase medievais. “Freud virou a prática clínica de cabeça para baixo, influenciou a medicina e criou um modelo a ser seguido – com mais ou menos adaptações – por todas as psicoterapias que viriam depois dele”, escreve Alexandre.

Em uma época de ansiedade e depressão (turbinadas pelas redes sociais e a pandemia), nunca foi tão importante falar sobre saúde mental. Freud sem traumas é uma leitura mais do que bem-vinda.

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