Livros SuperImportantes
A imaginação passeia à solta no Universo
Infinito em todas as direções, Freeman Dyson, Editora Best Seller, São Paulo, 1989.
Flávio Dieguez
O russo Konstantin Tsiolkovsky, um dos fundadores da era espacial junto com o americano Robert Goddard e os alemães Hermann Oberth e Wernher von Braun, começou a desenhar os primeiros foguetes no final do século passado, quando suas idéias pareciam meros devaneios sem conseqüência prática. Mas ele não pensava assim: acreditava que a especulação era uma etapa importante para a investigação científica, mesmo quando envolvia um sonho aparentemente inacessível. O primeiro passo é a fantasia, depois é que vêm os cálculos mais precisos e, enfim, a execução prática de um projeto, defendeu-se ele em 1926. É o que pensa também o físico teórico anglo-americano Freeman Dyson: suas fantasias, reunidas neste livro, fazem as especulações do mestre russo parecer simples histórias da carochinha.
Com o vasto arsenal científico que possui, por ser um dos mais respeitados pesquisadores modernos, Dyson tenta adiantar respostas plausíveis para enigmas mais que nebulosos, sobre a origem da vida, as formas possíveis de vida no Universo, ou o futuro da civilização humana – depois que o Sol se apagar.
Já é surpreendente saber que essas questões quase metafísicas podem ser respondidas. Mas a surpresa aumenta ainda mais com as respostas, como na curiosa hipótese avançada por Dyson de que a vida gosta mais do frio que do calor. Assim, à medida que o Universo for envelhecendo e se expandindo, tornando-se mais e mais gelado, a vida tenderá a se tornar mais estável e terá mais facilidade para se sustentar. Dyson tem muita confiança nos seus cálculos. Sim, vida e inteligência são potencialmente imortais. Os recursos do conhecimento e da memória vão crescer de forma constante na medida em que a temperatura do Universo for caindo, diz ele.
Outra conseqüência espantosa da expansão do Universo – além da possível imortalidade – é que a vida irá precisar de uma quantidade muito pequena de energia para se sustentar. Uma sociedade complexa como a humana poderia existir para sempre com uma reserva de energia insignificante, em termos cósmicos: o equivalente a todo o calor emitido pelo Sol durante apenas oito horas. Para se ter uma idéia de como isso é pouco, basta saber que o Sol já vem gerando luz e calor em proporção mais ou menos constante há 5 bilhões de anos e deverá prosseguir nesse passo por outro tanto.
Naturalmente, esses dados podem estar muito distantes da realidade, já que não representam a verdade científica, mas apenas palpites instigantes, baseados em sólidos conhecimentos.
O objetivo de Dyson, nesse caso, é aprofundar as especulações de Tsiolkovsky – infelizmente ainda não publicadas em português – sobre o grande passo do homem rumo às estrelas, como o primeiro ser vivo a deixar a proteção de um planeta e da sua atmosfera para ir viver no vácuo, no espaço vazio e frio. Dyson compara essa mudança com a revolução dos primeiros organismos que se desenvolveram no mar e depois se adaptaram ao ar, em terra firme. Além disso, esses cálculos não esgotam todo o texto: Dyson discorre sobre dezenas de outros assuntos, desde a Cosmologia e a Física atômica até os planos suicidas de militarizar o espaço como o projeto americano Guerra nas Estrelas, que se espera caia no esquecimento, empurrado pelo clima de distensão nas relações entre as superpotências.
Em todos esses casos, vale a regra: os resultados podem não ser definitivos, mas são um salutar exercício de imaginação. Com isso, certamente, sai ganhando a ciência, na qual, como dizia Einstein, a imaginação é mais importante que a inteligência. Mas também a arte se enriquece, já que os devaneios de Dyson – como ele próprio faz que tão de salientar, sem falsa modéstia – são no mínimo tão cativantes como uma boa história de ficção científica.
Novidade no ensino
Matemática e vida, Vincenzo Bongiovanni, Olímpio Vissoto Leite, José Luiz T. Laureano, Editora Ática, São Paulo, 1989
Esta coleção de quatro livros, destinada aos alunos da quinta à oitava série do primeiro grau, uma boa novidade: além de conter divertidas ilustrações em cores, todos os capítulos partem de situações do dia-a-dia dos jovens para, em seguida, lhes ensinar os conceitos matemáticos. Assim, estudar Matemática deixa de ser o bicho-de-sete-cabeças que sempre foi para se tornar uma atividade leve bem-humorada.
As raízes gregas
Economia e sociedade na Grécia Antiga, Moses Finley, Livraria Martins Fontes Editora, São Paulo, 1989
A escravidão, a cidade grega, o mundo micênico e homérico são os temas desta coletânea de catorze artigos que cobre três décadas de trabalho – dos anos 50 ao final da década de 70 – do americano Moses Finley, considerado um dos maiores historiadores vivos da sociedade grega.
Sentimento esquecido
História do medo no Ocidente, Jean Delumeau, Companhia das Letras, São Paulo, 1989
Restabelecer o papel que o medo desempenhou na História da humanidade foi a tarefa a que se propôs o historiador francês Jean Delumeau. Para ele, o silêncio da História frente a esse sentimento se deveu, em grande parte, à confusão estabelecida entre medo e covardia, que acabaram se tornando sinônimos. No período que se estende de 1300 a 1800, o autor identifica a presença do medo e suas manifestações nas sociedades ocidentais, que sempre cultuaram os heróis, valentes e destemidos.
Da origem à República
História de Roma, Tito Lívio, Editora Paumape, São Paulo, 1989
Trata-se do primeiro dos seis volumes que compõem esta monumental obra do historiador romano Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.). Na verdade, de tudo o que ele escreveu, só restou a História de Roma e mesmo assim incompleta. Dos 142 livros originais, apenas 35 foram preservados. O volume publicado agora no Brasil reúne os cinco primeiros livros, abordando as origens lendárias da cidade, a realeza, o início da República e a tomada de Roma pelos gauleses.
Lapsos de todos nós
Perda de memória, Stephen L. Defelice, Sue Nirenberg, Livraria Nobel, São Paulo, 1989
Quem já não passou pela situação constrangedora de conversar com alguém sem conseguir lembrar seu nome ou ir até à cozinha pegar alguma coisa e, de repente, não sabe mais do que é? Lapsos como esses, considerados normais, e a perda anormal da memória causada por doenças, como o mal de Alzheimer, são resumidos pelos autores, um médico e uma jornalista americanos.
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