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Livros SuperImportantes

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
1 fev 1990, 00h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h45
  • A imaginação passeia à solta no Universo

    Infinito em todas as direções, Freeman Dyson, Editora Best Seller, São Paulo, 1989.

    Flávio Dieguez

    O russo Konstantin Tsiolkovsky, um dos fundadores da era espacial junto com o americano Robert Goddard e os alemães Hermann Oberth e Wernher von Braun, começou a desenhar os primeiros foguetes no final do século passado, quando suas idéias pareciam meros devaneios sem conseqüência prática. Mas ele não pensava assim: acreditava que a especulação era uma etapa importante para a investigação científica, mesmo quando envolvia um sonho aparentemente inacessível. “O primeiro passo é a fantasia, depois é que vêm os cálculos mais precisos e, enfim, a execução prática de um projeto”, defendeu-se ele em 1926. É o que pensa também o físico teórico anglo-americano Freeman Dyson: suas fantasias, reunidas neste livro, fazem as especulações do mestre russo parecer simples histórias da carochinha.

    Com o vasto arsenal científico que possui, por ser um dos mais respeitados pesquisadores modernos, Dyson tenta adiantar respostas plausíveis para enigmas mais que nebulosos, sobre a origem da vida, as formas possíveis de vida no Universo, ou o futuro da civilização humana – depois que o Sol se apagar.

    Já é surpreendente saber que essas questões quase metafísicas podem ser respondidas. Mas a surpresa aumenta ainda mais com as respostas, como na curiosa hipótese avançada por Dyson de que a vida gosta mais do frio que do calor. Assim, à medida que o Universo for envelhecendo e se expandindo, tornando-se mais e mais gelado, a vida tenderá a se tornar mais estável e terá mais facilidade para se sustentar. Dyson tem muita confiança nos seus cálculos. “Sim, vida e inteligência são potencialmente imortais. Os recursos do conhecimento e da memória vão crescer de forma constante na medida em que a temperatura do Universo for caindo”, diz ele.

    Outra conseqüência espantosa da expansão do Universo – além da possível imortalidade – é que a vida irá precisar de uma quantidade muito pequena de energia para se sustentar. Uma sociedade complexa como a humana poderia existir para sempre com uma reserva de energia insignificante, em termos cósmicos: o equivalente a todo o calor emitido pelo Sol durante apenas oito horas. Para se ter uma idéia de como isso é pouco, basta saber que o Sol já vem gerando luz e calor em proporção mais ou menos constante há 5 bilhões de anos e deverá prosseguir nesse passo por outro tanto.
    Naturalmente, esses dados podem estar muito distantes da realidade, já que não representam a verdade científica, mas apenas palpites instigantes, baseados em sólidos conhecimentos.

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    O objetivo de Dyson, nesse caso, é aprofundar as especulações de Tsiolkovsky – infelizmente ainda não publicadas em português – sobre o grande passo do homem rumo às estrelas, como o primeiro ser vivo a deixar a proteção de um planeta e da sua atmosfera para ir viver no vácuo, no espaço vazio e frio. Dyson compara essa mudança com a revolução dos primeiros organismos que se desenvolveram no mar e depois se adaptaram ao ar, em terra firme. Além disso, esses cálculos não esgotam todo o texto: Dyson discorre sobre dezenas de outros assuntos, desde a Cosmologia e a Física atômica até os planos suicidas de militarizar o espaço como o projeto americano Guerra nas Estrelas, que se espera caia no esquecimento, empurrado pelo clima de distensão nas relações entre as superpotências.

    Em todos esses casos, vale a regra: os resultados podem não ser definitivos, mas são um salutar exercício de imaginação. Com isso, certamente, sai ganhando a ciência, na qual, como dizia Einstein, “a imaginação é mais importante que a inteligência”. Mas também a arte se enriquece, já que os devaneios de Dyson – como ele próprio faz que tão de salientar, sem falsa modéstia – são no mínimo tão cativantes como uma boa história de ficção científica.

     

    Novidade no ensino

    Matemática e vida, Vincenzo Bongiovanni, Olímpio Vissoto Leite, José Luiz T. Laureano, Editora Ática, São Paulo, 1989

    Esta coleção de quatro livros, destinada aos alunos da quinta à oitava série do primeiro grau, uma boa novidade: além de conter divertidas ilustrações em cores, todos os capítulos partem de situações do dia-a-dia dos jovens para, em seguida, lhes ensinar os conceitos matemáticos. Assim, estudar Matemática deixa de ser o bicho-de-sete-cabeças que sempre foi para se tornar uma atividade leve bem-humorada.

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    As raízes gregas


    Economia e sociedade na Grécia Antiga
    , Moses Finley, Livraria Martins Fontes Editora, São Paulo, 1989

    A escravidão, a cidade grega, o mundo micênico e homérico são os temas desta coletânea de catorze artigos que cobre três décadas de trabalho – dos anos 50 ao final da década de 70 – do americano Moses Finley, considerado um dos maiores historiadores vivos da sociedade grega.

     

     

     

    Sentimento esquecido

    História do medo no Ocidente
    , Jean Delumeau, Companhia das Letras, São Paulo, 1989

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    Restabelecer o papel que o medo desempenhou na História da humanidade foi a tarefa a que se propôs o historiador francês Jean Delumeau. Para ele, o silêncio da História frente a esse sentimento se deveu, em grande parte, à confusão estabelecida entre medo e covardia, que acabaram se tornando sinônimos. No período que se estende de 1300 a 1800, o autor identifica a presença do medo e suas manifestações nas sociedades ocidentais, que sempre cultuaram os heróis, valentes e destemidos.

     

     

     

    Da origem à República

    História de Roma, Tito Lívio, Editora Paumape, São Paulo, 1989

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    Trata-se do primeiro dos seis volumes que compõem esta monumental obra do historiador romano Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.). Na verdade, de tudo o que ele escreveu, só restou a História de Roma e mesmo assim incompleta. Dos 142 livros originais, apenas 35 foram preservados. O volume publicado agora no Brasil reúne os cinco primeiros livros, abordando as origens lendárias da cidade, a realeza, o início da República e a tomada de Roma pelos gauleses.

     

     

     

    Lapsos de todos nós

    Perda de memória, Stephen L. Defelice, Sue Nirenberg, Livraria Nobel, São Paulo, 1989

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    Quem já não passou pela situação constrangedora de conversar com alguém sem conseguir lembrar seu nome ou ir até à cozinha pegar alguma coisa e, de repente, não sabe mais do que é? Lapsos como esses, considerados normais, e a perda anormal da memória causada por doenças, como o mal de Alzheimer, são resumidos pelos autores, um médico e uma jornalista americanos.

     

     

     

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