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Mestre dos mares

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h54 - Publicado em 30 abr 2004, 22h00

Cíntia Cristina da Silva

No comando da Armada das Molucas, o navegador português Fernão de Magalhães realizou a maior proeza da história da exploração marítima: descobriu, em 1520, a passagem que liga o oceano Atlântico ao Pacífico. Além de batizar o lugar, conhecido hoje como estreito de Magalhães, a expedição audaciosa provou que a terra era redonda e foi a primeira a circunavegar o globo. Graças à viagem – que durou quase três anos e custou a vida de 242 tripulantes – caíram por terra as aterrorizantes crenças de que os oceanos eram habitados por monstros marinhos e possuíam mares de fogo.

Essa aventura fascinante é narrada com eficiência em Além do Fim do Mundo (Objetiva), de Laurence Bergreen. O livro ressalta a genialidade de Fernão de Magalhães e expõe as acirradas disputas entre Portugal e Espanha – as superpotências da época – pelo controle do comércio marítimo.

Rejeitado por Portugal, Magalhães convence o rei da Espanha a financiar uma expedição para explorar uma nova rota que levaria às Ilhas das Especiarias, as Molucas, na atual Indonésia. Em uma viagem turbulenta, marcada por fome, escorbuto e motins dos marinheiros espanhóis – que não aceitam um português como capitão-mor – Magalhães cumpre o seu objetivo. Ironicamente, o capitão morreu quando estava próximo de chegar às Molucas. Mas, como disse o poeta português Fernando Pessoa, a alma ousada do marinheiro – “que até ausente soube cercar a terra inteira com seu abraço” – acompanhou as embarcações até o final.

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Além do Fim do Mundo

Laurence Bergreen

Editora Objetiva, 472 Páginas, R$ 58

A primeira volta ao mundo

Uma história de fome, morte e sucesso

1. A partida

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Em 20 de setembro de 1519 a Armada das Molucas, chefiada por Fernão de Magalhães, deixa a Espanha com 260 tripulantes em cinco embarcações

2. As brasileiras

Perseguido pelos portugueses, que queriam prendê-lo, Magalhães segue por uma rota diferente que o leva a 60 dias de tempestades em alto-mar. Uma vez no Brasil, enquanto a armada se reabastece, marinheiros tentam esconder índias nos porões dos navios

3. A passagem

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Um dos navios naufraga em uma expedição na Argentina, mas todos sobrevivem. Dias depois, a armada descobre o estreito que leva ao Pacífico mas, apesar da excitação, perde o segundo navio, que deserta e volta à Espanha

4. A tragédia

Dezenas de tripulantes, incluindo Magalhães, morrem de fome ou em combate com os nativos. Os restantes, em número pequeno demais para pilotar três navios, decidem incendiar um deles

5. A chegada

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Danificado, o quarto navio fica para trás. O único restante, chamado Victoria, vai para casa cheio de cravo – uma carga tão valiosa quanto o ouro. Em 6 de setembro de 1521, apenas 18 homens chegam à Espanha

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