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Oscar: 4 categorias que nunca foram aprovadas para o prêmio

Os dublês lutam há anos, sem sucesso, para que a Academia crie um prêmio para eles. Conheça essa e outras três histórias dos que ficaram de fora da festa.

O Oscar 2020 acontece no dia 09 de fevereiro, e as apostas já começaram para adivinhar quem serão os felizardos a ganhar as atuais 24 estatuetas da premiação.

Desde a primeira cerimônia de entrega, em 1929, o quadro de categorias do Oscar mudou bastante. Algumas deixaram de existir por defasagem histórica (“Entretitulagem” premiava os melhores textos entre as cenas dos filmes mudos); outras se juntaram em uma só (havia dois troféus para “Curta-metragem”, para filmes de tamanhos diferentes) ou foram mudando de nome, como “Efeitos Visuais”, que já se chamou “Efeitos Especiais” e, antes, “Engenharia de Efeitos”.

Algumas categorias, no entanto, mal chegaram a ver a luz do dia. Propostas ao longo dos anos, elas foram recusadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo prêmio. Reunimos abaixo quatro exemplos delas – e suas respectivas histórias de fracasso (para o bem ou para o mal).

Melhor Filme Popular

Vamos começar com a mais recente (e polêmica) categoria rechaçada. Se a sua memória for boa, você irá se lembrar do anúncio feito em 2018 pela própria Academia: o plano de incluir um prêmio para “filmes populares” na edição seguinte do Oscar, em 2019.

A ideia da Academia era aumentar a audiência da cerimônia, que vive altos e baixos nos últimos anos – o Oscar de 2018, por exemplo, foi o menos visto na história. Os tais “filmes populares”, então, seriam os fenômenos de bilheteria – blockbusters como longas de ação, ficção científica e de super-heróis, que não costumam entrar na disputa da categoria principal.

O problema é que ninguém curtiu a ideia de nivelar as produções artísticas. Muitos argumentaram que a medida, na verdade, diminuía o valor dos blockbusters, colocando-os em uma categoria inferior aos outros. Com tantas críticas negativas, a Academia voltou atrás apenas um mês depois do anúncio.

Melhor Elenco

A proposta de incluir essa categoria surgiu em 1999, mas com uma dúvida. Quem premiar nesse caso: o diretor de elenco, por escolher atores que se encaixaram perfeitamente nos seus respectivos papeis? Ou os próprios atores, que entram no personagem e são o que de fato torna o elenco bom?

A ideia acabou engavetada no Oscar, mas há outras premiações em que ela aparece. Por exemplo: essa é a principal categoria do SAG Awards, organizado pelo Sindicato dos Atores (e um importante termômetro para o Oscar). Neste ano, o SAG acontece no dia 19 de janeiro.

Melhor Design de Título

O prêmio para design de título também foi proposto em 1999. O objetivo era premiar os artistas e designers por trás dos títulos de cada filmes – e da maneira como eles aparecem na introdução do longa. Não ficou muito claro? Pense nas aberturas dos episódios de Star Wars (com o letreiro) e Harry Potter, que seriam competidores de peso caso a categoria existisse.

Os defensores da inclusão da categoria argumentam que os títulos têm uma função importante: introduzir o espectador na história e dar o tom ao filme, sintetizando a ideia central da trama. Além disso, a categoria está presente em outro grande evento: o Emmy, que premia as melhores produções televisivas. Desde 1976, existe o troféu para os melhores títulos e aberturas de séries.

Existem alguns entraves para o Design de Título vingar. Cada categoria do Oscar é votada por um júri específico, organizado em sindicatos e associações: atores votam em atores, técnicos de som votam em técnicos de som e por aí vai. E não existe uma organização de designers de título – essa função, no fim das contas, é uma subcategoria do design de produção de um filme.

Mas talvez o principal inimigo seja o tempo. O cerimônia do Oscar dura por volta de três horas – e isso tem cada vez mais afastado o público. Inserir mais uma categoria resultaria em alguns minutos extras de show. Um mau negócio para quem quer aumentar a audiência.

Melhor Dublê

Você já ouviu falar em um sujeito chamado Jack Gill? Provavelmente não, mas Jack é um veterano em Hollywood. Ele é um dublê e coordenador de dublês com quase 30 anos de carreira. Participou de filmes como Rambo, Velozes e Furiosos 5, Pearl Harbor, o novo Jumanji e por aí vai.

Certo, mas o que tem ele? Acontece que Jack está há anos lutando para que o Oscar inclua um prêmio que reconheça o trabalho dos dublês. A ideia surgiu junto com o diretor Sydney Lumet, nos anos 1990, enquanto eles trabalhavam juntos em um set de filmagem. Jack foi atrás da Academia, que disse que o processo de inclusão levaria de três a quatro anos – e até hoje, nada.

Gill argumenta que o trabalho dos dublês se tornou cada vez mais constante – e desafiador. Afinal, o número de filmes de ação aumentou, assim como a grandiosidade das cenas. Os coordenadores de dublês, consequentemente, acabam liderando a direção de alguns momentos do longa.

Mesmo assim, não há nenhum sinal de que a Academia cederá aos pedidos de Gill – e de muitas outras pessoas. Há um consolo: o Taurus World Stunt Awards premia, desde 2001, os melhores trabalhos na área. É melhor do que nada, não?