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Sonzinho eletrônico

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 nov 2003, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h52
  • Peaches – Fatherfucker (Sum Records) Nacional

    Surubas, pansexualismo e palavrões por todo os cantinhos do disco ajudam a canadense Peaches a botar o pé na porta de saída do electro, estilo que foi logo colando na moça por causa de “The Teaches of Peaches” (2000). Aqui, ela mantém as bases toscas, feitas numa bateria eletrônica das mais ralés, a mesma usada no disco anterior. De diferente, nota-se de cara uma pegada bem roqueira. Não é à toa que ela abre o disco com uma versão pancadona de “I Don’t Give A…”, da roqueira Joan Jett (a mesma de “I Love Rock’n’Roll”). Para reafirmar essa veia, ela convidou Iggy Pop para cantar junto “Kick It”. Mas, ei, ainda é Peaches: as bases de miami bass passeiam pelo disco inteiro. É funk carioca via Canadá…

    Claudia Assef

    U.N.K.L.E. – Never Never Land (Mo Wax) Importado

    O capo da gravadora Mo·Wax, James Lavelle, baixou a bola de sua principal cria autoral, o supergrupo U.N.K.L.E., e lança um disco bem menos megalomaníaco que o anterior “Psyence Fiction”. Sem a batuta ambient de DJ Shadow, ele volta a convidar celebridades para sua festa de arromba: Josh Homme (do Queens of the Stone Age), Brian Eno, 3D (do Massive Attack), Jarvis Cocker (do Pulp) e dois ex-Stone Roses (Mani, hoje no Primal Scream, e o vocalista Ian Brown). Tudo bem que o som é pouco moderno (o que é isso mesmo?), mas tentar acompanhar a modernidade é como morder o próprio rabo. E dessa, James Lavelle já saiu há tempos.

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    Alexandre Matias

    Otto – Sem Gravidade (Trama) Nacional

    Para uns, Otto lentamente conclui sua “carlinhosbrownização”. Para outros, isto já aconteceu faz tempo. O fato é que o ex-percussionista do Mundo Livre S/A vem deixando seu trabalho cada vez mais intimista (até demais) a cada disco. Em “Sem Gravidade”, que encerra sua trilogia eletrônica ao lado do produtor Apollo 9, ele torna-se ainda mais inatingível, mesmo que os ritmos conspirem a seu favor. Letras e idéias frias e distantes passam longe do cara que até outro dia cantava sobre meninas fumando maconha em Recife. O resto do disco, cheio de Max de Castro, Rita Lee e abraço pro Gil, faz com que Otto pareça apenas mais um “novo MPB”, tentando furar a fila entre Zeca Baleiro, Toni Garrido e Pedro Luís pra ganhar algum privilégio junto à máfia do dendê.

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    Alexandre Matias

    Téléfax – Des Courbes de Choses Invisibles (Dora Dorovitch) Importado

    O primeiro álbum dos franceses do Téléfax é complicado de entender na primeira escutada. Música eletrônica surrealista? Ambient house feito por malucos saídos do Instituto Pinel? Mesmo depois de ouvir algumas vezes, fica difícil de encaixar o Téléfax em alguma gaveta. Talvez a melhor seja: pop eletrônico esquisito cantado em francês. Se você é chegado num sonzinho eletrônico deliciosamente estranho, corra atrás.

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    Claudia Assef

    Flu – No Flu do Mundo (YB) Nacional

    Após anos entre ruído, teoria e esquizofrenia do DeFalla, Flávio Santos transformou-se em Flu, um dos pioneiros da desktop music no Brasil. Aqui, ele soa um pouco mais rock, um pouco mais dance, um pouco mais experimental que na estréia. Mas só um pouco – mudar depressa vai contra as regras de seu universo.

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    Alexandre Matias

    The Rapture – Echoes (Universal) Importado

    Gang of Four versão 2000? “Novo roque”? “Até o Bob Smith já fez um Cure eletrônico…”? House com guitarras? O Rapture consegue opiniões tão diferentes quanto prováveis, culpa do excesso de referências que deixam pelo caminho. E a regra “fale mal, mas fale de mim” funciona. O álbum é meio repetitivo, mesmo com algumas boas sacadas (como o fato de algumas músicas serem grudadas entre si, como num DJ set). Serve mais para firmar o lugar da banda do que para dizer realmente a que veio. Procure “House…” e espere o próximo.

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    Alexandre Matias

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