The Game Awards 2024: “Astro Bot” leva Jogo do Ano. Veja outros destaques do prêmio
Conheça os demais vencedores e as polêmicas que marcaram o décimo ano da premiação, a mais prestigiada do ramo.

O The Game Awards, maior premiação do setor dos jogos eletrônicos, elegeu os melhores games de 2024 na noite da última quinta-feira (12). O grande vencedor desta que foi a décima edição do prêmio foi Astro Bot, que ganhou na categoria principal: Jogo do Ano.
Publicado pela Sony, Astro Bot tem críticas positivas que destacam a inventividade de seu level design, o charme e carisma de sua direção de arte e a gameplay divertida. O jogo pareceu ter encantado boa parte do público, e chegou para a premiação como um dos mais fortes consensos da crítica.
O jogo é de uma premissa simples, com gameplay tradicional de plataforma 3D – talvez por isso o título tenha mais cara de Nintendo do que de Sony, conforme os lançamentos recentes das duas empresas. O jogador controla um robozinho através de planetas enquanto recupera partes de uma nave espacial (que tem o formato de um Playstation 5) e resgata outros robozinhos (alguns fantasiados de personagens de franquias marcantes da Sony).
Talvez as críticas negativas mais relevantes sobre Astro Bot tenham sido, primeiramente, o apelo à nostalgia. A metalinguagem de inserir referências ao Playstation em toda oportunidade e a aparição de personagens famosos dos consoles da empresa japonesa pode ter incomodado alguns, que consideraram a proposta apelativa e “propagandista” demais.
Outra crítica é o aspecto narrativo fraco, praticamente inexistente, do jogo. A proposta é simples, um jogo de plataforma 3D, recheado de referências gamer. Por causa disso, muitos não consideraram a vitória justa, alegando que outros concorrentes mereciam mais por ter jogos “maiores” e mais ambiciosos.
Astro Bot também levou a categoria de Direção de Jogo, Jogo de Ação/Aventura e Jogo para Família. Essa última categoria havia sido dominada pela Nintendo nos últimos anos. Tanto que, em seu discurso, o diretor do estúdio Team Asobi, Nicolas Doucet, agradeceu não à Sony, mas à rival, pela influência.
Talvez o jogo com mais cara de Nintendo que a Sony já lançou, Astro Bot levou a honra máxima para a casa.

Metaphor: ReFantazio e Balatro são outros destaques
Indicado a seis categorias, Metaphor: ReFantazio conseguiu conquistar metade delas. O game da desenvolvedora Atlus levou em Direção de Arte, RPG e Narrativa. Ele era um dos favoritos da noite para levar Jogo do Ano, mas não rolou.
O game explora uma trama política no Reino Unido de Euchronia, um mundo de fantasia medieval. Ele empresta muito da fórmula testada e aprovada da série Persona, mas se afasta dela com uma temática completamente diferente. Os visuais impressionantes, artísticos e criativos da Atlus brilham e ajudam esse jogo de fantasia a ser um RPG completo e interessante.
Quem chegou de surpresa na premiação e levou todas as categorias em que era favorito foi Balatro. Jogo independente, desenvolvido por uma única pessoa (cujo apelido é LocalThunk), Balatro foi um sucesso estrondoso de crítica e de vendas. Ele ostenta uma nota extremamente positiva no Metacritic, com elogios à sua jogabilidade “viciante” e “divertida”. Charlie Brooker, o criador da série Black Mirror, chamou o jogo de “possivelmente a coisa mais viciante já criada” e disse que, quando fosse lançado para celulares, “a produtividade humana cairia cerca de 25%”.
Mas, afinal, qual a premissa do jogo, já disponível para dispositivos móveis? Balatro é um jogo de cartas, que mistura pôquer com paciência. O jogador tem que fazer mãos com sequências de pôquer para conseguir pontos e avançar ao próximo round. Cada mão dá uma quantidade de pontos fixa, mas o jogador pode usar cartas diferentes e coringas para multiplicar sua pontuação ou mudar a gameplay de jeitos criativos. As partidas são únicas e o jogador tem liberdade para montar seu baralho do jeito que quiser.
Balatro levou um trinca de prêmios: Jogo Independente, Estreia de Jogo Independente e Jogo Mobile.
Esnobados?
Dois dos outros indicados na categoria principal saíram com menos prêmios do que era esperado. Final Fantasy VII: Rebirth, a segunda parte do remake do game clássico, levou só a categoria de Melhor Trilha Sonora. O jogo recebeu sete indicações, o mesmo número que Astro Bot.
Já Black Myth: Wukong, um RPG de ação com temática de mitologia chinesa, foi indicado a cinco categorias e venceu duas: Jogo de Ação e Voz dos Jogadores (a única categoria escolhida por votação popular).
Indicação polêmica
Fechando os indicados a Jogo do Ano, temos Elden Ring: Shadows of the Erdtree, nomeado em cinco categorias, mas que não levou nenhuma para casa.
Não que isso tenha sido um problema: Shadows of the Erdtree não é exatamente um jogo completo, mas sim uma DLC (de “downloadable content”; “conteúdo baixável”), um extra adicionado posteriormente depois do lançamento inicial de um jogo. O game base, Elden Ring, foi lançado em 2022 e ganhou como Jogo do Ano naquela edição do The Game Awards.
Por não se tratar de um jogo completo, e sim de uma expansão de um jogo já existente, muita gente considerou a indicação de Shadows of the Erdtree injusta. Como sempre, o The Game Awards mexe com os games queridinhos de cada um, e todo mundo vai defender que seu jogo favorito deveria ter levado um prêmio para casa. Infelizmente, não dá para todo mundo ganhar um troféu.